Moscou, 20 (AE-AP) - Um dos vencedores da eleição parlamentar russa é um partido sem um programa político coerente, nenhum proeminente político entre seus quadros, e uma história de apenas três meses.
Enquanto eram divulgados hoje (20) os resultados, mostrando o movimento centrista Unidade bem posicionado em segundo lugar, muitas pessoas expressavam desconfiança hoje.
"Estou surpresa... Por que as pessoas decidiram de repente apoiá- los?" perguntou a engenheira Yelena Alexeyevna, de 43 anos.
O Unidade teve o apoio entusiástico do popular primeiro-ministro Vladimir Putin. A bênção do premier parece ter sido suficiente para catapultar o Unidade direto para os primeiros lugares, disputando cabeça-a-cabeça com os comunistas pela maioria na Câmara baixa do parlamento.
"Este é o tipo de mentalidade que o povo tem: Votamos em qualquer um que nos ordenam votar", disse Galina Velikzhanova, uma microbiologista aposentada de 59 anos, que passeava com seu neto de 18 meses num parque no centro de Moscou.
O Unidade é uma criação do Kremlin, formado às pressas no final de setembro para contrabalancear a influência do partido centrista de oposição Mãe Pátria-Toda a Rússia, liderado pelo ex-primeiro- ministro Yevgeny Primakov e o prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov - ambos duros adversários do presidente Boris Yeltsin.
Na campanha eleitoral, o Unidade conseguiu ampla e favorável cobertura da mídia pró-Kremlin. Mas aparentemente poucos russos acreditavam que ele disputaria a liderança.
"Estou terrivelmente chocada. Não pensava que o governo estava forte o suficiente para dar um tapa na cara (do Mãe Pátria-Toda a Rússia)", afirmou outra eleitora, uma musicista de 50 anos que se identificou apenas como Alla.
O Unidade é liderado pelo ministro de Situações Emergenciais, Sergei Shoigu - que é amplamente respeitado como chefe de uma eficiente agência de resgate e que não está envolvido em acusações de corrupção, mas que é demasiadamente taciturno e irascível para ser um político bem sucedido.
O número dois do movimento é outra figura pública com perfil improvável para a política - o tricampeão olímpico de luta romana Alexander Karelin. Entre os demais candidatos do partido Unidade estão vários empresário pouco conhecidos e governadores regionais que têm visões políticas bastante diferentes.
"Isso não é um partido - um bombeiro... e um lutador", disse o engenheiro Igor Pantyushin, de 54 anos. "O objetivo desse chamado partido é apoiar o governo de Putin - e o que ocorrerá se o governo fizer alguma besteira delirante?"
Até agora, entretanto, a maioria dos russos está satisfeita com as políticas de Putin. O duro tratamento que ele tem dado à guerra da Chechênia, num momento em que a maioria das pessoas está frustrada com a inatividade do presidente Yeltsin e suas contínuas enfermidades, traduziu-se em amplo apoio a Putin.
"Ninguém sabe exatamente como é Putin. Ele é uma incógnita - mas ele começou a fazer alguma coisa e as pessoas aplaudiram", afirmou Velizkhanina.
O Unidade também parece dever algum de seu apoio a pessoas que querem romper a dominação comunista na Duma, e votaram numa alternativa que parecia menos condenável.
"Acho que as pessoas escolheram o mal menor", disse Alla, a musicista. "Foi uma repetição do que tivemos em 1996, quando as pessoas votaram em Yeltsin e contra (o líder comunista Gennady) Zyuganov".

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