Russos aprendem português na escola
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2002
Evgueni Moravitch Agência Lusa 
Moscou - O tio da Tânia é velho, articula Dima, um jovem de 10 anos da idade. O t e o v dele soam à maneira inglesa. Dima, aluno do quinto ano da escola 26 de Moscou, estuda o inglês desde o segundo ano. No português é iniciado.
O ensino do português como segundo idioma estrangeiro é a primeira experiência do gênero em uma escola geral em Moscou. A iniciativa é da diretora da escola 26, a professora Alla Lusina. A idéia surgiu de uma sugestão dada pelo pai de um dos alunos, que fala português e gostaria que o seu filho também falasse.
A professora Lusina dirigiu-se à Faculdade de Letras da Universidade Lomonossov de Moscou, onde lhe indicaram Nástia Alpatova, aluna do quarto ano do curso de língua e literatura portuguesa. Nástia, que já esteve em Portugal, beneficiando-se de uma bolsa de estudo do Instituto Camões, apaixonou-se pela idéia e começou a ensinar o português desde o início do ano letivo em andamento, em setembro de 2001. Pelo trabalho, a jovem professora recebe cerca de US$ 21,7, salário comum nas escolas russas.
O que interessa é provar as minhas forças como professora, diz Nástia, que afirma ter escolhido o estudo do português por ser uma língua exótica. E também por causa das telenovelas brasileiras, acrescenta.
A cultura brasileira manifesta cada vez mais a sua presença na Rússia, apesar da distância entre os dois países. Isto deve-se muito às produções televisivas da Rede Globo. É rara uma mulher russa que não conheça as peripécias dos protagonistas do Andando nas Nuvens ou do Rei do Gado. Quando a Escrava Isaura apareceu na Rússia pela primeira vez, no início dos anos 90, o país inteiro distraía-se dos problemas cotidianos, para seguir e discutir as peripécias do drama da pobre moça brasileira.
Este ano, a visita do presidente brasileiro, Fernando Henriques Cardoso, e o aumento das atividades econômicas dos brasileiros na Rússia teria sinalizado para muitos moscovitas que o Brasil pode tornar-se uma esfera de negócios promissora.
Daí, as opiniões de algumas mães que esperam pelos seus filhos, na sala de espera da escola 26. Natasha, funcionária pública de 34 anos, diz que gostou da notícia do seu filho de que iria começar a estudar português a partir do 5º ano. A escolha era entre francês e português, já que o inglês eles estudam como primeira língua estrangeira, diz Natasha. Foi o meu próprio filho que escolheu o português. Nós apoiamos. À questão o que é que vão fazer na vida com o português que aprenderam?, Dima responde sem pensar: Vou fazer comércio com o café Pelé.


