Moscou, 30 (AE-AP) Cinquenta e quatro rebeldes chechenos se renderam aos russos em Grozny, disse ontem (29) Sergei Yastrzhembsky, o principal porta-voz russo para questões relativas à Chechênia. Segundo a agência Interfax, a rendição teria sido formalizada diante de promotores locais à milícia comandada pelo líder checheno pró-Moscou Aslan Gantamirov.
Forças russas avançaram ontem por alamedas nevadas da capital da Chechênia e tomaram um prédio fortificado dos rebeldes separatistas. Fontes chechenas, porém, afirmam que permitiram a aproximação dos russos, a fim de atacá-los.
O porta-voz da presidência da Rússia, Sergei Yastrzhembsky, disse que 54 rebeldes haviam se rendido no setor nordeste da capital. Segundo ele, muitos estavam gravemente feridos.
Entretanto, acredita-se que até 3.000 guerrilheiros permanecam em Grozny. Não ficou claro se a rendição significaria um real avanço na batalha pela capital.
Segundo informou o comandante checheno Mumadi Saidayev à agência Interfax, suas tropas permitiram que os russos avançassem para que pudessem ser cercados e atacados.
Muitos dos combatentes que depuseram as armas e se renderam estavam feridos e receberam tratamento médico de emergência antes de serem enviados a Urus-Martan, perto de Grozny, onde foram entregues à polícia, disse Yastrzhembsky.
Na sexta-feira, havia sido anunciada a suposta negociação de um acordo de cessar-fogo com grupos rebeldes em algumas áreas da capital.
Investigações posteriores determinarão se os combatentes prisioneiros estiveram envolvidos em atos terroristas como os atentados à bomba realizados em Moscou e outras cidades russas, que no ano passado custaram a vida de 300 pessoas, disseYastrzhembsky.
Aqueles que forem absolvidos das acusações de atos terroristas poderão ser beneficiados por uma anistia, explicou o porta-voz.
As últimas informações russas provenientes da região indicavam que ainda se combatia duramente na maior parte de Grozny, onde os dois lados
estão envolvidos há dez dias numa batalha pelo controle da praça
Minutka, um ponto estratégico na área central da cidade.
O avanco russo é feito muito lentamente devido à ação dos franco-atiradores. Um tanque russo alvejou um prédio de apartamentos no qual estariam escondidos muitos desses atiradores.
"Deveriam ser uns 60 ou 70, a julgar pelo número de leitos", disse um soldado russo. "Mas eles tiveram tempo de levar todos os seus pertences", acrescentou. No entanto, os rebeldes deixaram uma coisa: uma armadilha com granadas na garagem, que explodiu quando abriram a porta, matando um soldado e causando queimaduras em mais dois.