CHIRI-YURT, Rússia, 13 (AE-AP) - Forças russas voltaram a bombardear nesta segunda-feira (13) os subúrbios da capital chechena de Grozny e anunciaram ter entrado na cidade, capturando o aeroporto e um bairro periférico.
Repórteres da Associated Press presenciaram hoje vários ataques de artilharia nos arredores da cidade, mas não houve sinais de ataques aéreos russos contra a cidade. Uma forte neblina envolvia a arruinada capital, onde cerca de 40.000 civis continuam encurralados.
O tenente-coronel Vladimir Bulgakov disse à agência Itar-Tass que tropas russas avançaram até a região de Khankala na região leste de Grozny e capturaram o devastado aeroporto da cidade. Mas forças chechenas anunciaram ainda estar combatendo na área e não houve confirmação independente da situação. Mesmo se os russos assumiram o controle do aeroporto, combates em seus arredores tornam perigosa demais a sua utilização. E também não seria uma grande perda para os chechenos, que não dispõem de aviões de combate.
Forças russas continuaram hoje com sua ofensiva em cidades e vilas ao sul e leste da capital, bombardeando diversos acampamentos. Mas os ataques contra Grozny pareciam ter sido mais brandos que os de semanas anteriores.
Os militares russos suspenderam os ataques aéreos contra a cidade no fim de semana e retiraram ameaças de dar início a intensos bombardeios depois de prostestos internacionais. Os russos, que haviam dito a civis para deixarem a cidade até sábado ou se arriscarem a morrer, abriram dois corredores para refugiados partirem da cidade, mas poucas pessoas parecem estar usando eles.
O emir Addul Vakhid, um assessor do líder guerrilheiro checheno Shamil Basayev, disse que tropas russas estavam bombardeando duramente uma rodovia que leva ao posto de checagem de refugiados ao norte.
Depois de protestos internacionais, comandantes russos afirmaram que eles utilizariam forças especiais para tomar a cidade. A ofensiva até Khankala poderia ser o primeiro passo da nova estratégia, mas os militares podem novamente recorrer a bombardeios intensos se suas tropas sofrerem fortes baixas.
Em Moscou, Nikolai Koshman, o comandante das fileiras russas na Chechênia, garantiu que a capital rebelde será capturada em uma semana ou dez dias.
"Passos radicais serão tomados para estabilizar a situação na esfera social da república", disse Koshman depois de participar de uma reunião presidida pelo primeiro-ministro Vladimir Putin.
Os militares russos informaram que um de seus aviões de combate Su-25 foi derrubado na república rebelde nesta segunda-feira e que o piloto ejetou mas ainda não havia sido encontrado. O comandante checheno Isa Munayev anunciou que o piloto havia sido feito prisioneiro, segundo a agência de notícias Interfax.
Os russos disseram inicialmente que o aparelho deveria ter caído por "problemas mecânicos", mas o chefe do Estado Maior checheno, Mumadi Saidayev, afirmou que ele foi derrubado pelas forças rebeldes. Ele também disse que dois helicópteros militares russos foram abatidos enquanto tentavam resgatar o piloto do Su-25, mas a afirmação não pôde ser confirmada.
Forças russas também cercaram Shali, que fica cerca de 20 quilômetros a sudeste de Grozny e é a única cidade de tamanho considerável que os rebeldes ainda controlam, além da própria capital.
O tenente-general Gennady Troshev disse que os moradores tinham de convencer os rebeldes a partir e que a bandeira russa deveria ser içada em Shali ainda hoje, ou os russos lançariam uma nova ofensiva.
"Eu vou dar a vocês a bandeira russa e vocês têm de içá-la na cidade, ou daremos início a operações militares, e aqueles que permanecerem serão destruídos", teria dito Troshev, segundo testemunhas.
Não houve notícias na noite de hoje de que a bandeira russa teria sido içada em Shali, mas os russos aparentemente também não começaram a atacar a cidade.
Em outro desdobramento, a Câmara Baixa do Parlamento russo (a Duma) aprovou hoje uma anistia para "quem cometeu atos ilegítimos" entre 1º de agosto e fevereiro de 2000 no norte do Cáucaso (onde estão as repúblicas russas do Daguestão e da Chechênia, entre outras).
A medida beneficiará os combatentes que se renderem e não tenham cometido delitos considerados graves.

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