Russomano defende trabalho da CPI em encontro com presidente do TJ-SP
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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Fausto Macedo 
São Paulo, 26 (AE) - A CPI do Narcotráfico sentiu o golpe desferido pela cúpula do Poder Judiciário de São Paulo e hoje deu o primeiro passo para tentar reverter a imagem de comissão arbitrária e truculenta que criou durante sua passagem pela cidade de Campinas - onde indiciou e prendeu policiais, empresários e um advogado. "A CPI é legalista", afirmou o deputado Celso Russomano (PPB-SP), sub-relator da comissão, em audiência com o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Márcio Martins Bonilha.
O encontro com o chefe do Judiciário paulista foi agendado a pedido da CPI depois que juristas e a OAB criticaram seus trabalhos. Magistrados também condenam os métodos empregados pela comissão na investigação sobre o crime organizado. A CPI estaria exercendo pesada pressão para obter a decretação de prisão de suspeitos sem reunir provas suficientes, violando direitos e garantias individuais.
"A CPI não prende ninguém", disse Russomano. "A comissão apenas levanta informações, apura e tem agilidade para quebrar sigilo bancário e fiscal." O deputado admitiu que pode ter havido "uma falha" da comissão no caso das prisões em Campinas - a CPI pediu a decretação, mas não entregou as provas (fitas com depoimentos de acusadores dos envolvidos) ao juiz-corregedor Paulo Eduardo Sorzi.
O primeiro detido em Campinas foi o advogado Arthur Eugênio Mathias, acusado de ser o braço jurídico de uma poderosa organização de traficantes e ladrões de carretas que teria instalado na cidade um centro financeiro e logístico. Na segunda-feira, o desembargador Djalma Lofrano, 2.º vice-presidente do TJ, concedeu habeas-corpus e mandou libertar o advogado. Para Lofrano, a CPI "não tem equilíbrio emocional".
Russomano entregou ao presidente do TJ uma caixa com fitas contendo gravação de depoimentos de testemunhas e acusados. "Não queremos nada fora-da-lei, é importante que o TJ saiba o que está acontecendo", disse. "Os trabalhos da CPI em São Paulo vão ser intensificados", avisou. O desembargador Bonilha disse que "o País está necessitando de CPI para investigar em larga escala os males que assolam o Brasil ". O presidente do tribunal fez uma advertência: "Não se toleram excessos e afronta à legalidade."


