São Paulo, 05 (AE) - O deputado federal Celso Russomano (PPB-SP), integrante da CPI do Narcotráfico, acusou hoje a mulher do advogado Arthur Eugênio Mathias, Naara Cristina Vilares, de estar envolvida no desaparecimento do motorista Adilson Frederico Dias Luz, uma das principais testemunhas da CPI, cujo depoimento levou Mathias à prisão. Luz deveria comparecer hoje à Comarca de Igarapava-SP para se retratar ao juiz de Direito Humberto Aparecido da Rocha, mas não apareceu e passou a ser considerado foragido.
O motorista registrou em cartório no dia 9 de dezembro uma declaração - confirmada em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, no último dia 29 - afirmando ter sido pressionado pelos promotores Ricardo Silvares, do Ministério Público de Campinas, e por Rogério Sanches Cunha, da Promotoria de Justiça de Igarapava, além de um delegado identificado como "Dr. Pio", a fazer acusações contra o advogado. Na ocasião, Luz acusou Mathias de chefiar uma quadrilha especializada em roubo de cargas e, no depoimento posterior, desmentiu a história.
Para Russomano, o motorista teria sido levado por Naara ao 17º Tabelião de Notas de São Paulo para fazer uma declaração afirmando que todas as suas acusações eram falsas e que as teria feito por pressão dos promotores. "Ele confessou em juízo, diante de seu advogado e do Ministério Público, agora não teria por que voltar atrás", afirmou o deputado. Russomano negou também a acusação de Luz de que o teria pressionado a fazer as acusações em troca de sua liberdade, ou mesmo dito que, se ele voltasse atrás em seu depoimento, seria preso. "Isso é mentira. Só falei com Adilson uma semana depois de ele ter prestado depoimento em juízo, e ainda assim não teria a menor autoridade para fazer uma ameaça desse tipo", argumentou.
"Adilson voltou atrás por pressão ou por dinheiro", disse Russomano, acrescentando que o "primo Ricardo" que, segundo o depoimento do motorista, o teria convencido a retirar suas acusações, na verdade é primo da namorada de Luz, e é subordinado direto de Arthur Eugênio Mathias. Segundo o deputado
Ricardo seria o responsável pela entrada de Luz para a quadrilha liderada pelo advogado. "Ele morria de medo dos três, do Arthur, do Ricardo e da Naara. Chegou a pedir proteção para nós contra eles", disse.
O deputado afirmou ainda que Naara será chamada para depoimento à CPI do Narcotráfico em fevereiro, e terá que explicar o sumiço de Luz. "Adilson teve liberdade provisória revogada, ela sabia disso e, mesmo sendo escrivã de polícia ainda deu cobertura para ele", declarou. "A Comissão irá representar contra ela por prevaricação, e Naara também irá responder por obstrução aos trabalhos da CPI."
CPI - Neste mês de janeiro, a CPI vai analisar todos os documentos recebidos nos últimos dois meses relativo a quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico, e fazendo ligações com os depoimentos feitos à própria CPI e à Polícia Federal. Também há documentos relativos a casas de câmbio, bancos e contas em bancos. "Vamos estar avaliando também denúncias anônimas a respeito do crime organizado, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, além de investigar o envolvimento de juízes de determinados estados no crime", disse Russomano.
Segundo o deputado, já foram detectados "focos" em São José dos Campos, cujas quadrilhas teriam ligações com as cidades de Atibaia, Campinas, Ribeirão Preto e Rio de Janeiro, através do traficante Fernandinho Beira-Mar. "Há também indícios de uma rota caipira ligando as cidades de Marília, Ribeirão Preto, São Carlos e Araraquara."
OAB - Russomano criticou também a iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil de enviar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedido de libertação de Arthur Eugênio Mathias. "Acho incrível que a Ordem queira em seus quadros uma pessoa indigna de exercer a profissão. Eles precisam apurar quem é o senhor Arthur Eugênio", afirmou o deputado. A OAB argumenta que a prisão do advogado foi ilegal, com base em provas ilícitas. "O depoimento do Adilson não é ilícito, ele foi ouvido em juízo", argumentou Russomano. "Nós vamos provar todos os esquemas nos quais Mathias está envolvido."