Rússia usa bomba incendiária para deter rebeldes
Grozny, 27 (AE-AP) - As tropas russas começaram a utilizar esta semana um novo recurso para tentar suplantar a feroz resistência dos rebeldes na região montanhosa do sul da república separatista da Chechênia: bombas incendiárias são lançadas pela Força Aérea contra as bases e fortificações dos guerrilheiros.
Esses artefatos liberam gás inflamável e provocam enormes explosões capazes de destruir as bases subterrâneas das forças chechenas. De acordo com a agência russa Interfax, as bombas incendiárias não estão sendo empregadas na capital chechena, Grozny, nem em regiões povoadas.
A nova estratégia está sendo posta em prática num momento em que os guerrilheiros contra-atacam as tropas federais com o objetivo de liberar os caminhos de acesso a suas rotas de abastecimento, bloqueadas na semana passada pelos militares russos.
Os rebeldes tentam retomar o controle das vilas de Vedeno e Karachoi, localizados ao longo de uma importante estrada que liga o sul da Chechênia à ex-república soviética da Geórgia - o único país com o qual a república russa faz fronteira.
Os rebeldes têm-se abastecido de alimentos e munição através da Geórgia, mas combatentes chechenos em Grozny disseram à agência Associated Press que o bloqueio dessas rotas pela Rússia os deixou com poucas reservas de armamento.
"Grozny será logo tomada, mas essa não é nossa principal preocupação", afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa, Serguei Zhuk. "O mais importante para as tropas federais é bloquear o acesso para o sul, já que a maioria dos rebeldes se dirigiu para lá." Apesar das declarações otimistas dos militares, em Grozny os combates estão sendo violentos e as tropas russas têm dificuldade para avançar porque a cidade está totalmente minada. A meta é conquistar terreno pouco a pouco, para evitar pesadas baixas como as sofridas na guerra de 1994-1996.
Milícias chechenas pró-Rússia estão liderando o avanço e hoje anunciaram ter tomado o bairro de Staropromyslovski, no noroeste da cidade, cortando em duas a linha de defesa dos rebeldes.
O presidente checheno, Aslan Maskhadov, ainda está na capital e hoje exortou seus combatentes a defender a cidade até o fim.





