Rússia sofre pesadas perdas em Grozny, mas nega
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quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Ruslan Musayev 
GROZNY, Rússia, 16 (AE-AP) - Forças russas bombardearam intensamente hoje (16) o centro de Grozny, um dia depois que combatentes rebeldes destroçaram uma coluna blindada russa, deixando os corpos de pelo menos 115 soldados espalhados pelas ruas.
Um repórter da Associated Press, que testemunhou os combates de quarta-feira, contou posteriormente os corpos e viu as carcaças carbonizadas de sete tanques e oito blindados de deslocamento de tropas na Praça Minutka, próxima do centro da capital chechena. Muitos dos corpos estavam mutilados por disparos e bastante carbonizados.
A batalha da noite de quarta-feira foi aparentemente a pior derrota que os militares russos já sofreram desde que suas forças entraram na Chechênia em setembro numa tentativa de restaurar o controle de Moscou sobre a província separatista.
Irados generais russos negaram hoje que suas forças sofreram qualquer perda ou mesmo que tentaram enviar tanques para Grozny. Redes de televisão controladas pelo governo divulgaram a negativa, dando poucos detalhes do combate.
"Notícias sobre a derrota de uma coluna blindada russa para rebeldes na Praça Minutka de Grozny são mentiras e desinformação", afirmou o ministro da Defesa russo, Igor Sergeyev, à agência de notícias Interfax. "Nenhum veículo blindado russo entrou na cidade".
Usando linguagem do estilo da Guerra Fria, os militares garantiam que as notícias sobre a batalha eram provocação de agências de notícias ocidentais, que segundo eles estariam trabalhando a favor das forças chechenas.
As Forças Armadas russas anunciaram hoje que apenas dois soldados do governo haviam morrido em combate na Chechênia nas últimas 24 horas. Os dois lados tendem a minimizar suas baixas.
Um comandante rebelde, Tsupyan Magomadov, disse à AP que não podia confirmar o número de mortos no combate na Praça Minutka. A agência de notícias russa Interfax, citando fontes não especificadas, divulgou que 25 soldados russos foram mortos ou feridos na emboscada.
Segundo Magomadov, a artilharia russa voltou hoje a bombardear a cidade e seus arredores, com os combates se concentrando numa colina que é o ponto mais alto da região. Aviões e helicópteros de combate russos sobrevoavam o tempo todo Grozny, partindo de um grande campo de pouso quase na fronteira com a Chechênia.
Um piloto de helicóptero, capitão Oleg Ovinov, disse que atacou posições rebeldes num bosque logo na entrada de Grozny, mas que não atacou a cidade propriamente.
Não ficou claro se a coluna blindada russa era uma força avançada de um ataque maior a Grozny ou uma missão de reconhecimento para testar as defesas rebeldes. Os russos podem também ter penetrado mais fundo na cidade do que pretendiam.
Centenas de combatentes chechenos disparando lançadores de granada e metralhadoras emboscaram e cercaram a coluna blindada na imensa praça, a cerca de 3 km do centro da cidade.
Os largos tanques russos, presos na armadilha, foram atingidos repetidamente pelos rebeldes, que disparavam de posições encobertas. Os infantes nos leves blindados de deslocamento de tropas foram estraçalhados depois que seus veículos ficaram em chamas.
Generais russos vinham insistindo por semanas que eles não promoveriam um grande ataque terrestre contra Grozny porque queriam evitar uma repetição das grandes perdas sofridas pelo exército na cidade durante a guerra de 1994 a 1996. Enquanto o exército tem uma tremenda vantagem em artilharia e tanques, a infantaria russa é no geral formada por recrutas mal treinados que se defrontam com experientes guerrilheiros chechenos, que se sobressaem no combate de rua.
Apesar do revés em Grozny, o exército russo garantiu hoje que irá tomar a cidade em poucos dias. Mas os militares russos já fizeram tal tipo de previsão repetidas vezes em semanas recentes.
Os combatentes chechenos em Grozny, apesar de cercados pelas forças russas, pareciam estar com o moral elevado depois do enfrentamento de quarta-feira, com seus líderes dizendo que estão determinados a manter a posição na destroçada cidade. Vários milhares de militantes estão bem entrincheirados na capital, onde vêm se preparando por semanas para o assalto russo.
Os combatentes "só temem Alá", disse o prefeito de Grozny, Lechi Dudayev.
Estima-se que entre 10 mil e 40 mil civis ainda estejam presos na cidade, muitos velhos ou enfermos demais para fazerem a perigosa jornada para fora de Grozny.
A Rússia informou que 700 civis deixaram a cidade na noite de quarta-feira através de corredores seguros estabelecidos pelos militares russos.


