Rússia se aproxima da China para encontrar solução para o conflito em torno de Kosovo
Moscou, 09 (AE-AP) - A Rússia está multiplicando os contatos com a China e outros países da ásia para a mediação de uma solução para o conflito na Iugoslávia, disse hoje (09) o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores russo, Grigori Karasin, à agência Itar-Tass.
Os dois países opõem-se aos bombardeios da Otan e insistem em uma saída política para as divergências sobre a província sérvia de Kosovo. No entanto, o mediador russo para a Iugoslávia, Viktor Chernomyrdin, considerou hoje que se produziram "circunstâncias novas e muito sérias" nos Bálcãs e, por essa razão, cancelou sua nova viagem a Belgrado, que havia sido anunciada para amanhã.
Segundo a Itar-Tass, Chernomyrdin pretende reunir-se amanhã com o presidente Boris Yeltsin para analisar as conversações que manteve na Alemanha com o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, e o enviado especial da ONU para a Iugoslávia, Carl Bildt.
Ele também manteve uma longa conversa com o líder moderado dos albaneses étnicos, Ibrahim Rugova. A Rússia e o Grupo dos 7 (G-7, que reúne os países mais industrializados do mundo) concordaram esta semana na cidade alemã de Petersberg em buscar uma solução para a crise de Kosovo no âmbito da ONU.
A principal divergência para um acordo que seria imposto ao presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, é a composição e a competência de uma força internacional de paz para Kosovo.
A Otan exige o comando das tropas (com integral apoio dos EUA), mas a Rússia (tradicional aliada dos sérvios) propõe uma presença militar com mandato da ONU e sem nenhum dos países que participam dos bombardeios no território iugoslavo.
O debate para a redação do texto do acordo foi adiado para esta semana. Seus termos terão de ser submetidos ao Conselho de Segurança (CS) da ONU, no qual China e Rússia têm poder de veto.
O chefe da delegação chinesa enviada à Belgrado para avaliar os danos à sua embaixada, Vang Guoyang, disse que a China continuará com "seus esforços para o fim incondicional da agressão e a favor de uma solução política". Milosevic disse há alguns dias a um emissário grego que aceitaria um plano da Rússia e do G-7, se for aprovado pelo CS da ONU. Essa informação não foi confirmada por Belgrado.
Em entrevista a um jornal da Igreja católica, La Croix, o presidente de Montenegro (que, com a Sérvia, forma a Iugoslávia), Milo Djukanovic, sugeriu hoje que a resolução definitiva da instabilidade nos Bálcãs requer a derrubada de Milosevic.





