Rússia nunca nos subjugará, diz líder checheno
Grozny, 30 (AE-AP) - As tropas federais renovaram seus ataques nesta quinta-feira (30) contra a capital chechena e contra bases dos separatistas na região montanhosa do sul, onde houve intensos combates nos vilarejos de Kharacharoi, Vedeno e Dyshno-Vedeno. O alto comando russo alertou seus homens na Chechênia para a possibilidade de que os separatistas aproveitem as festas de fim de ano para lançar uma ampla contra-ofensiva.
O general Kazantsev disse dispor de informações de que as forças chechenas planejam atacar as cidades de Gudermes e Argun, que estão sob controle das tropas federais há várias semanas. Ele também considerou ser provável que elas intensifiquem as ações de sabotagem nas áreas da república já conquistadas pela Rússia, ou seja, toda a região norte e a vasta planície central.
A campanha militar levou mais de 250.000 pessoas a deixar a Chechênia e buscar refúgio principalmente na vizinha república russa da Ingushétia, cujos habitantes são majoritariamente muçulmanos, como os chechenos. Em Grozny permanecem entre 10.000 e 40.000 civis de uma população de cerca de 360.000 pessoas antes do início da guerra, segundo os últimos dados do Ministério das Situações Emergenciais da Rússia.
A maioria dos que ficaram é constituída de idosos, doentes e inválidos, abrigados em porões para proteger-se dos ataques da aviação e da artilharia russa. Sua situação é dramática, pois faltam alimentos. Mesmo os que podem locomover-se não têm mais como sair da cidade, transformada num campo de batalha.
Em Moscou, o Kremlin anunciou hoje que o presidente Boris Yeltsin não participará da cerimônia de encerramento do ano, na qual faria um discurso ao povo russo. Ele será substituído pelo primeiro-ministro Vladimir Putin, cada vez mais popular por causa da ofensiva militar na Chechênia. Os assessores de Yeltsin não deram explicações para sua ausência, mas especula-se que a saúde dele pode ter piorado novamente.
Entrincheirado em Grozny, o presidente da república separatista da Chechênia, Aslan Maskhadov, advertiu hoje os russos de que a verdadeira guerra ainda está para começar e, mesmo que chegue a durar dez anos, "a Rússia nunca subjugará o povo checheno".
O conflito só terá início de fato, segundo Maskhadov, quando as tropas russas avançarem mais na região montanhosa do sul do território, onde o Exército federal estará em desvantagem em um terreno que os rebeldes conhecem profundamente. "É por isso que eu tenho alertado o Kremlin de que esta ação não levará a lugar nenhum."
Ele fez essas inflamadas declarações à agência de notícias russa Interfax no mesmo dia em que o comandante das tropas russas na Chechênia, general Viktor Kazantsev, admitia em entrevista ao diário Nezavisimaya Gazeta que as Forças Armadas não conseguirão cumprir sua meta de tomar a capital antes do início do ano 2000.
"Como militar profissional, posso dizer que a iniciativa está completamente nas mãos dos defensores de Grozny", afirmou Maskhadov, garantindo que as baixas em suas forças são mínimas. "Mesmo que, no fim, o Exército russo consiga conquistar Grozny, o preço que terá de pagar por isso será muito alto", afirmou o líder checheno. Ele destacou que os russos já perderam mil homens na cidade e cerca de 150 veículos e tanques. Essas baixas são negadas por Moscou, que admite a morte de 465 militares.
As autoridades russas deixaram de reconhecer o governo de Maskhadov desde que lançaram sua ofensiva na Chechênia, há cerca de três meses. O Kremlin alega que ele não tem poder sobre os vários líderes guerrilheiros fundamentalistas islâmicos que invadiram a república russa do Daguestão em agosto. Essa ação e uma série de atentados terroristas na Rússia, com quase 300 mortos - atribuídos por Moscou aos rebeldes - , motivaram a campanha militar russa na Chechênia.





