Moscou, 16 (AE-AP) - Pelo menos 17 pessoas morreram e outras 115 ficaram feridas na explosão, supostamente provocada por uma bomba, num edifício de apartamentos da cidade de Volgodonsk, sul da Rússia. A autoridades classificaram a explosão de hoje (16) como o quarto grande atentado terrorista ocorrido no país em duas semanas. De acordo com o Ministério do Interior, uma bomba foi colocada dentro de um caminhão estacionado em frente ao edifício de nove andares. A cidade de Volgodonsk fica próximo à região norte do Cáucaso, onde atuam os guerrilheiros islâmicos. Em Moscou, correram rumores de que o presidente Boris Yeltsin poderia enfrentar uma crise política devido à sua aparente incapacidade de conter a onda de ataques. Yeltsin discutiu a última explosão numa reunião de emergência realizada hoje (16) com o primeiro-ministro Vladimir Putin. "Teremos a força e os recursos para derrotar o terrorismo", disse o presidente. Também foram convocados ao Kremlin o chanceler Igor Ivanov e o chefe da contraespionagem Viacheslav Trubnikov. As autoridades russas suspeitam que militantes islâmicos do sul da Rússia sejam os responsáveis pelas três explosões ocorridas anteriormente, que provocaram a morte de pelo menos 275 pessoas. As autoridades russas informaram ainda que outras três bombas de potencial poder de destruição foram desativadas em outros edifícios de Moscou quando já estavam conectadas com mecanismos de tempo. Em Volgodonsk, a polícia encontrou vestígios de explosivos em meio aos escombros do edifício, disse o Serviço de Segurança Federal. Trata-se do quarto atentado contra um grande edifício de apartamentos na Rússia. Todas as explosões ocorreram durante a noite, quando os moradores dormiam, aparentemente com o objetivo de provocar o maior número de mortes possível. A explosão dessa quinta-feira (16) destruiu a parte da frente do edifício e danificou uma chefatura de polícia e outros 20 prédios vizinhos. Em frente ao edifício atingido foi aberta uma cratera de quatro metros. Os bombeiros tiveram trabalho para combater o incêndio que atingiu vários pisos do prédio, de 100 apartamentos, enquanto equipes de resgate buscavam sobreviventes em meio às chamas e fumaça. Volgodonsk encontra-se a 800 quilômetros ao sul de Moscou, próximo à República do Daguestão, onde há semanas tropas russas combatem guerrilheiros islâmicos. A cidade, de 250 mil habitantes, é composta, em sua maioria, por empregados de uma central nuclear situada a 15 quilômetros e por funcionários de uma empresa que produz energia. Volgodonsk nasceu em 1959 ao redor do complexo industrial Atom-Mash, que produz equipamentos para centrais nucleares, em particular para a de Rostovskaia.

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