Rússia nega que campanha militar na Chechênia viole tratado de armas
Kiev, Ucrânia, 9 (AE-AP) - O contingente militar da Rússia na Chechênia não viola o tratado de armas internacional já que o acordo permite uma concentração temporária de forças, declarou hoje o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Igor Ivanov.
Os Estados Unidos acusaram ontem (8) a Rússia de violar o tratado das Forças Convencionais na Europa (FCE) ao enviar para esta região nos montes Cáucasos, mais tanques e outras armas do que o permitido pelo acordo.
Ivanov disse durante uma entrevista coletiva que a Rússia havia notificado o Ocidente sobre estes deslocamentos militares e que um aumento do efetivo militar temporário está contemplado no tratado FCE.
"Não fazemos disso nenhum segredo. Nós mesmos divulgamos a informação aos participantes do tratado. A possibilidade de um destacamento temporário de forças está contemplada. Não estamos cometendo nenhuma violação", disse Ivanov.
Os acordos FCE de 1990 limitam o número de tanques, peças de artilharia, aparatos aéreos e outras armas não nucleares na Europa e fixa números específicos para certas regiões em particular.
Washington sustenta que Moscou não pode dizer que os destacamentos são temporários, já que há algum tempo viola os números máximos no sul da Rússia.
Os novos limites de armas para essa região russa foram estabelecidos logo que a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), de 30 nações, atualizou o tratado FCE de 1996.
Essas mudanças permitiram que a Rússia instalasse mais equipamentos bélicos em suas fronteiras ao norte e ao sul, como parte de uma "acordo sobre flancos". A Rússia aprovou em abril a modificação, que será debatida durante o encontro da OSCE em novembro, na Turquia.
As forças russas ingressaram na República separatista da Chechênia há duas semanas, em resposta aos ataques lançados por militantes islâmicos instalados nesta região. Moscou anunciou que suas forças controlam agora o lado norte da Chechênia e que lutam para estabelecer uma zona de segurança em torno do território.
Ivanov negou que Moscou pretenda empregar armas nucleares em países vizinhos. "A Rússia não tem e não terá armas nucleares fora de suas fronteiras", afirmou.





