Rússia não respeitará embargo de petróleo contra Sérvia
Moscou, 24 (AE-AP) - A Rússia expressou hoje (24) sua oposição radical ao embargo de petróleo aprovado pela Otan contra a Iugoslávia. Moscou argumentou que a Otan não tem competência para adotar a medida, indicando claramente que não a respeitará.
"Essa é uma atribuição exclusiva do Conselho de Segurança da ONU", destacou o chanceler russo, Igor Ivanov.
Na sexta-feira, os ministros da Defesa dos países da Otan aprovaram um plano para impedir a chegada de petróleo à Iugoslávia via Montenegro.
O ministro alemão da Defesa, Rudolf Scharping, informou que, segundo o plano, os navios suspeitos de transportar petróleo para a Iugoslávia serão interceptados e inspecionados pelas forças navais da aliança e, se necessário, obrigados a voltar a seus portos de origem - algo que o embargo petrolífero aprovado dias antes pela União Européia não previa.
Observadores internacionais não descartam a possibilidade de incidentes com os russos, principalmente se suas embarcações forem escoltadas.
A aviação da Otan prosseguiu hoje a Operação Força Aliada, bombardeando alvos militares e estratégicos em território iugoslavo. Foram atacadas com mais intensidade áreas localizadas em Novi Sad (norte) e Nis (sul) - as duas maiores cidades do país depois de Belgrado.
Pelo menos dez grandes explosões foram ouvidas em Novi Sad, enquanto 26 projéteis atingiam Nis. Segundo a agência iugoslava Tanjug, caças-bombardeiros F-16 destruíram um grande depósito de combustíveis no centro da Sérvia, arrasaram um clube de campo perto de Pristina, capital de Kosovo, e danificaram o aeroporto local.
O porta-voz da Otan, Jamie Shea, calculou em 600 mil o número de refugiados, instalados nos países vizinhos (Albânia e Macedonia) e em Montenegro, que, com a Sérvia, forma a Iugoslávia.
O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) está-se preparando para uma nova onda de 300 mil albaneses étnicos que deverão abandonar Kosovo a qualquer momento. Há ainda intensas escaramuças entre soldados sérvios e guerrilheiros do Exército de Libertação de Kosovo (ELK) nas proximidades da fronteira albanesa, um dos corredores de fuga mais procurados pelos albaneses étnicos.
No campo diplomático, o negociador russo de paz Viktor Chernomyrdin reafirmou a disposição do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, de conceder ampla autonomia política a Kosovo (sem ceder a soberania sérvia sobre o território), desde que a Otan suspenda os bombardeios e retire suas tropas da Albânia e da Macedônia.
A aliança rejeita categoricamente a oferta, exigindo a retirada incondicional das tropas iugoslavas de Kosovo e uma autorização imediada para o regresso dos refugiados em absoluta segurança.
Segundo o porta-voz da Otan, Milosevic enfrenta problemas nas Forças Armadas. Ele fez recentemente um expurgo no Exército. "Pelo menos dez generais foram afastados de seus postos e são mantidos em prisão domiciliar." O presidente iugoslavo está às voltas também com a oposição do governo de Montenegro a suas iniciativas - principalmente contra a ordem dele para colocar a polícia montenegrina sob comando do Exército iugoslavo.
Na Rússia, uma bomba explodiu hoje perto dos consulados americano e britânico na cidade de Ekaterimburgo (Urais), sem causar vítimas. O atentado teria sido cometido por simpatizantes da causa sérvia.





