Rússia mantém bombardeio contra a Chechênia
Grozny, 06 (AE-AP) - Forças russas bombardearam intensamente hoje (06) com artilharia e ataques aéreos a Chechênia, enquanto o ministro da Defesa considerava se elas avançariam ainda mais na república separatista ou consolidariam suas posições.
A artilharia russa atacou duramente o noroeste da Chechênia e a força aérea, a parte oriental, segundo autoridades chechenas. Não houve informações imediatas sobre vítimas.
O ministro da Defesa Igor Sergeyev disse que as forças russas podem promover novas ofensivas em direção a Grozny e outras cidades. A Rússia tem dado poucas indicações sobre sua estratégia, mantendo os chechenos desprevenidos e obrigando-os a espalhar suas forças.
"Tudo vai depender da situação", afirmou Sergeyev.
O ministro garantiu que os russos estão encontrando apenas "bolsões de resistência" de combatentes chechenos. Líderes da república apresentam um quadro diferente, falando em duros combates frente ao avanço russo.
Clérigos muçulmanos chechenos devem convocar uma "guerra santa" contra a Rússia, afirmou o vice-primeiro-ministro da Chechênia, Kazbek Makhashev, à agência de notícias Interfax.
O presidente checheno, Aslan Maskhadov, aparentemente visando estabelecer ordem entre suas forças, declarou hoje que estava assumindo o comando direto das forças armadas. Os chechenos estão divididos, com vários poderosos senhores da guerra islâmicos opostos ao governo de Maskhadov.
Não ficou imediatamente claro qual seria o resultado de sua decisão. Desde que assumiu o governo em 1997, Maskhadov tem se mostrado fraco e incapaz de controlar os senhores da guerra.
Maskhadov declarou lei marcial na república e seu governo anunciou que adotará uma economia de guerra.
A Rússia intensificou sua campanha econômica contra a Chechênia, dizendo que iria cortar todo o fornecimento de energia elétrica e congelar o envio de alimentos, a fim de garantir que eles não serão usados para sustentar os combatentes chechenos.
A Rússia, que entrou com forças terrestres na Chechênia na semana passada depois de semanas de pesados ataques aéreos, garante ter capturado as planícies ao norte do rio Terek, o que constituiria o um terço nortista da república.
Os russos podem parar na margem norte do Terek, onde tropas têm fortificado posições. Atravessando o rio, os russos encontrarão território montanhoso onde os combatentes chechenos, em número bem menor, poderiam promover devastadores ataques guerrilheiros.
Depois de sofrer uma humilhante derrota na guerra de 1994 a 1996, a Rússia quer limitar baixas nos combates recentes, que tiveram início quando guerrilheiros islâmicos baseados na Chechênia invadiram a vizinha república russa do Daguestão em agosto e setembro.
As ruas de Grozny estavam no geral desertas hoje. Algumas feiras livres estavam funcionando, mas a maioria dos homens nas ruas estava com uniformes militares.
A asa de um avião de combate russo Su-25 derrubado na segunda-feira foi colocado num pedestal na praça central em Grozny. O avião foi um dos dois que lutadores chechenos derrubaram nos últimos dias.
"Estou feliz por esse avião ter sido derrubado", disse uma mulher, que deu o nome de Rosa. "Significa que os russos não podem nos bombardear impunemente".
Os russos vêm bombardeando a Chechênia há semanas, e muitos dos ataques têm se concentrado em Grozny e arredores, destruindo refinarias de petróleo, olarias e supostas bases de militantes islâmicos.
Os ataques provocaram a fuga de pelo menos 125 mil civis da Chechênia, com a maioria deles rumando para a vizinha república da Ingushétia. O fluxo tem pressionado recursos da Ingushétia, uma empobrecida república que tinha pouco mais de 300 mil habitantes antes que os refugiados começassem a chegar.
Moscou culpa militantes baseados na chechênia por uma série de atentados à bomba na Rússia durante o mês de setembro que matou cerca de 300 pessoas.
Hoje, autoridades afirmaram que militantes chechenos estão por trás de uma explosão ocorrida ontem num bloco de apartamentos em Goryachevodsk, na região de Stavropol, que faz fronteira coma Chechênia. No atentado, uma pessoa morreu.





