Rússia intensifica ofensiva; muçulmanos proclamam líder.
Ansalta, Rússia, 11 (AE-AP) - Ao mesmo tempo em que a Rússia intensifica sua ofensiva contra a luta separatista no Daguestão, os guerrilheiros islâmicos que tomaram várias aldeias no sudoeste da república russa, no fim de semana passado, proclamaram hoje (11) o checheno Salman Basayev líder da rebelião que pretende instaurar um Estado islâmico no Daguestão. A nomeação foi anunciada pela Shura, conselho islâmico não oficial do Daguestão, que reúne várias tendências islâmicas.
O governo russo considera Basayev o terrorista número 1 do país e mantém uma ordem de busca contra ele, por várias ações extremistas desencadeadas após o fim da URSS e principalmente durante a Guerra da Chechênia (1994-1996). Já o povo checheno o tem como herói da guerra da independência contra Moscou - nunca reconhecida pelo Kremlin. Ele ganhou notoriedade ao tomar centenas de reféns um hospital na cidade russa de Budyonnonsk, em 1995, e comandar a defesa da capital chechena, Grozny, contra as tropas russas, em 1994-95 e comandou
Hoje, Bassayev reuniu alguns jornalistas para uma entrevista no povoado de Ansalta, um dos bastiões dos rebeldes no Daguestão. Vestindo roupa militar, ele falou de seus planos de liderar a revolta e não interrompê-la enquanto os "infiéis" não tiverem sido expulsos do norte do Cáucaso. O anúncio confirma a acusação do governo russo de que os guerrilheiros se haviam infiltrado no Daguestão pela Chechênia, o que vinha sendo negado com veemência pelas autoridades chechenas. Basayev já foi primeiro-ministro checheno, mas deixou o governo por divergências com o presidente Aslan Maskhadov. Basayev também apresentou o jordaniano Khattab, da tendência muçulmana wahabbita, como comandante do Exército islâmico do Daguestão.
Não está muito claro ainda qual a área e o número de povoados sob controle dos rebeldes. Aparentemente, eles estão resistindo aos bombardeios, embora as forças de segurança russas assegurem que eles estão cercados. Hoje, a Rússia lançou uma nova ofensiva contra os guerrilheiros. O general Viatcheslav Ovtchinnikov, encarregado das operações na região, estimou em 1,2 mil o número de militantes islâmicos - uma cifra bem maior do que os 300 a 600 das estimativas iniciais. YELTSIN - O presidente russo, Boris Yeltsin, foi atendido hoje em uma clínica na capital para fazer exames de raio-x qualificado de rotineiros pelo seu porta-voz, Dmitri Yakushkin. Apesar da semana tensa em Moscou, marcada pela intensificação da guerra no Cáucaso e a troca de primeiro-ministro, a notícia do exame de Yeltsin não chegou a causar maior inquietação, já que seus problemas de saúde são frequentes. Ainda hoje, o recém-nomeado primeiro-ministro, Vladimir Putin, reuniu-se com políticos do parlamento, em busca de apoio para sua confirmação no cargo.





