Grozny, 28 (AE-AP) - Soldados russos enfrentavam hoje (28) combatentes chechenos pelo controle de uma estratégica colina nos arredores da capital Grozny, enquanto aviões de combate e a artilharia bombardeavam alvos em diversas partes da república separatista. O ministro da Defesa russo disse que suas tropas nunca irão deixar a Chechênia.
Enquanto os combates continuavam, um destacado líder guerrilheiro checheno prometeu promover ataques terroristas na Rússia para vingar os civis chechenos mortos pelos bombardeios russos.
Nuvens de fumaça negra cobriam hoje Grozny enquanto bombas russas explodiam em partes da cidade, destroçando prédios e provocando incêndios. Uma grande batalha estava sendo travada pelo controle da Colina de Yastrebinaya, com seu pico estando a cerca de 280 metros acima do nível dos arredores norte de Grozny.
Jatos russos bombardearam várias vilas hoje, e testemunhas relataram que a localidade de Achkoi-Martan, cerca de 25 km a sudoeste de Grozny, foi duramente atingida por ataques aéreos.
O vice-presidente checheno, Kazbek Makhashev, disse hoje que 223 civis haviam sido mortos em ataques aéreos russos desde quarta-feira. Não houve como confirmar independentemente a acusação, apesar de pessoal médico ter noticiado um grande número de vítimas civis.
Nesta quinta-feira, bombas russas atingiram uma procissão funerária em Stariye Atagi, cerca de 20 km ao sul de Grozny, ferindo três idosos, segundo moradores locais.
No oriente, tropas russas forçaram seu caminho até os arredores de Gudermes, a segunda maior cidade da Chechênia. Gudermes, 35 km a leste de Grozny, é estrategicamente importante por causa de seu tamanho e sua posição ao longo da principal rodovia que segue para o leste até a república do Daguestão.
Militantes islâmicos baseados na Chechênia invadiram o Daguestão em agosto e setembro, levando tropas russas a entraram na Chechênia a fim de eliminá-los. Os militantes também são acusados por uma série de explosões em prédios residenciais na Rússia em setembro que deixou cerca de 300 mortos.
Shamil Basayev, um dos líderes guerrilheiros dos militantes, afirmou à AP que estava preparando mais ataques contra a Rússia. Basayev já promoveu tais ataques no passado.
"Eu formei um batalhão especial composto por combatentes suicidas para promover atos de sabotagem. Será uma revanche contra o bombardeio contra o mercado de Grozny e outros ataques contra civis", disse. "Nós iremos vencer esta guerra, mas não irei parar por aí".
Por seu lado, o ministro da Defesa russo, Igor Sergeyev, também expressou sua determinação em esmagar as forças chechenas.
"Nós viemos para nunca mais sair", afirmou ele durante uma visita a tropas na região, divulgou a agência de notícias Itar-Tass.
Enquanto isto, o presidente checheno, Aslan Maskhadov, enviou um apelo ao papa João Paulo II, pedindo a ele para interceder a fim de salvar a região separatista. Ele disse que as nações islâmicas abandonaram a Chechênia.
"Em seu nome, estamos pedindo a todo o mundo cristão para salvar o povo checheno de outro genocídio", afirmou o presidente. "Estamos enviando este apelo a você só depois de nos convencermos de que o mundo islâmico tem permanecido indiferente a nossos apelos".
Maskhadov disse que 3.265 chechenos já foram mortos e mais de 5.000 feridos desde 5 de setembro, quando as forças russas entraram na Chechênia. Segundo ele, as tropas russas destruíram 60 vilas e a Chechênia enfrenta uma crise humanitária.
Falando mais tarde na televisão chechena, Maskhadov reclamou que estão sendo ignorados seus chamados por conversações de paz com o presidente russo, Boris Yeltsin.
"Todas as minhas propostas de reunião com Yeltsin foram ignoradas. Minhas palavras nunca chegam ao presidente", afirmou.
Yeltsin tem dito que apoia plenamente a guerra e tem elogiado seus militares.
Enquanto isto, Basayev, o líder guerrilheiro, ironizou o anúncio do tenente-general russo Gennady Troshev, dando conta que a Rússia pagaria US$ 1 milhão pela captura do combatente.
"As tropas russas não têm dinheiro nem para uma garrafa de vodca", disse ele. "Se Troshev tivesse esse dinheiro, eu iria vê-lo pessoalmente e pegava a quantia".
Enquanto continuam tímidas as críticas do exterior, na Rússia a intervenção na Chechênia continua recebendo apoio de todas as correntes. Hoje, expressaram sua aprovação o líder comunista Gennady Zyuganov e o último presidente soviético, Mikhail Gorbachev, que anunciou há poucos dias sua candidatura para as eleições gerais de 2000.
A guerrilha chechena "tem de ser castigada: ou se submete ou deve ser derrotada", disse Gorbachev. Ele pediu, entretanto, que as ações militares visem apenas "os grupos de bandidos e terroristas" e não a população chechena.

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