Rússia insinua compromisso em Kosovo e quer enviar novos reforços
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Angela Charlton 
Moscou, 16 (AE-AP) - A Rússia enviou mais veículos e suprimentos para suas forças em Kosovo nesta quarta-feira (16) enquanto autoridades norte-americanas e russas tentavam encerrar uma disputa com a Otan sobre quem comandará as tropas de manutenção de paz na província.
Funcionários russos expressaram preocupação em relação ao Exército de Libertação de Kosovo (ELK), alertando que eles poderiam ser uma ameaça às tropas russas na província e às esperanças de se restaurar a paz na região.
Mas Moscou também indicou querer uma solução com a Otan e previu que um desfecho seria trabalhado em conversações em Helsinque entre o ministro de Defesa da Rússia, Igor Sergeyev, e o secretário da Defesa dos Estados Unidos, William Cohen.
A Otan insiste em comandar todas as operações de manutenção de paz em Kosovo. Mas a Rússia garantiu que não aceitaria o comando da Otan e pegou a aliança de surpresa ao enviar soldados a Kosovo antes de o acordo de comando ser concluído.
Uma idéia em discussão é dar aos russos uma "zona de responsabilidade" dentro de uma parte de Kosovo comandada pelos Estados Unidos e outras forças da Otan, disse Cohen. Não estava imediatamente claro se isto satisfaria os russos.
Um porta-voz do Ministério da Defesa, que recusou-se a dizer seu nome, disse que a Rússia enviou um terceiro comboio a Kosovo nesta quarta-feira, partindo da Bósnia com suprimentos para os soldados que já estão lá. O porta-voz disse que o comboio incluía nove veículos, mas não forneceu mais detalhes.
Mas a Otan informou que sabia apenas da presença de duas colunas russas, sendo uma com os soldados e um comboio de suprimentos enviado ontem a partir da Bósnia. O segundo comboio incluía suprimentos e reforços para as tropas russas.
Sergeyev não comentou as informações de um terceiro comboio. Ele previa que a estrutura de comando seria definida durante o fim de semana.
"Se não tivéssemos um pouco de confiança, não teríamos vindo", declarou Sergeyev em Helsinque.
O diálogo entre Cohen e Sergeyev durou além do previsto, prosseguindo até o fim da noite de quarta-feira.
O papel da Rússia na manutenção da paz provavelmente será complicado. A Rússia tem laços estreitos com os sérvios. Os rebeldes albaneses étnicos de Kosovo alertaram hoje que considerariam as tropas russas hostis se estas não estiverem sob comando da Otan.
O porta-voz rebelde Jakup Krasniqi afirmou em Kosovo: "As tropas russas que não estiverem sob comando da Otan... não serão bem-vindas aqui e nós as trataremos como forças inimigas."
"Eu não posso dizer que a guerra acabou", declarou.
Enquanto isso, Sergeyev disse que o Exército de Libertação de Kosovo é "um barril de pólvora que poderá levar à explosão de todo o processo de acordos", segundo noticiários russos.
O embaixador da Rússia na ONU, Sergei Lavrov, expressou preocupação nas Nações Unidas nesta quarta-feira de que as forças da Otan estajem sendo "complacentes" em relação à desmilitarização dos rebeldes albaneses étnicos.
Moscou pressiona fortemente por uma função importante na operação de manutenção de paz e suas atitudes agressivas contradizem suas declarações públicas conciliatórias. Os soldados russos em Kosovo recusaram-se a permitir que forças da Otan entrassem no aeroporto de Pristina, criando um embaraçoso impasse diplomático.
Autoridades da defesa russa disseram nesta quarta-feira que pressionavam nações do leste europeu para abrirem seu espaço aéreo para que Moscou pudesse enviar reforços por avião. Hungria e Bulgária declararam que não permitirão acesso aéreo até que Rússia e Otan entrem em acordo sobre uma estrutura de comando.
O presidente Boris Yeltsin monitorava a situação em Kosovo nos preparativos para sua reunião com o presidente norte-americano Bill Clinton, marcada para domingo na cúpula do G-8 na Alemanha, segundo informou a assessoria de imprensa de Yeltsin.


