Makhackala, Rússia, 13 (AE-AP) - Com ameaças de que a Moscou atacará a Chechênia se necessário, o primeiro-ministro designado da Rússia, Vladimir Putin, anunciou hoje (13) o início de uma ofensiva em grande escala contra os rebeldes islâmicos no sudoeste da república russa do Daguestão. "O ataque começou", enfatizou.
O comandante das tropas do Ministério do Interior, Vyacheslav Ovchinnikov, adiantou à agência russa Interfax que a primeira fase da operação de expulsão dos rebeldes havia terminado em Tsumadin - de onde foram expelidos - e a nova etapa começaria no distrito de Botlikh no domingo. Nas últimas horas, as posições russas foram de fato notavelmente reforçadas no território. Chegaram ao Daguestão hoje cinco aviões de carga, com soldados, equipamento bélico e medicamentos, mas não há ainda uma avaliação clara da dimensão da operação.
Os rebeldes teriam infiltrado pelo menos 1,2 mil combatentes enquanto as forças russas contavam com cerca de 6 mil homens até quinta-feira. O Ministério da Defesa ordenou que se pague um suplemento de 70% sobre o soldo de cada militar deslocado para a área em conflito - no dia anterior, Putin havia criticado os baixos vencimentos dos soldados.
As posições dos rebeldes foram hoje novamente alvo de bombardeios da aviação russa, apoiada por artilharia pesada. Nos últimos seis dias, a Força Aérea desencadeou mais de 200 incursões contra os guerrilheiros, majoritariamente da seita islâmica wahabita, sem conseguir desalojá-los de seus redutos nas montanhas. Eles invadiram o território daguestanês há uma semana, através da vizinha república separatista da Chechênia. Na terça-feira, proclamaram um Estado islâmico e anunciaram uma guerra santa contra os "infiéis". O governo russo informou que eles ainda ocupam 7 das 32 aldeias do distrito de Botlikh e estão "totalmente cercados" pelas unidades do Exército, tropas do Ministério do Interior e policiais daguestaneses, não tendo como escapar para a vizinha Chechênia.
É difícil ter um balanço confiável da situação porque os números divulgados por cada lado são bastante contraditórios. Morreram apenas 10 militares russos e 27 ficaram feridos, segundo Moscou. As autoridades também dizem ter matado pelo menos 150 guerrilheiros e ferido outros 300 enquanto os rebeldes só admitem a perda de 5 homens e ferimentos em 15. Entretanto, o governo russo havia garantido que suas forças tinham ferido gravemente o militante jordaniano Khattab ibn Enoi, nomeado "comandante do exército islâmico do Daguestão", mas hoje ele foi mostrado por uma emissora de TV russa. Dizia que tudo estava "indo bem" para seus homens, sem aparentar nenhuma lesão.
Putin ressaltou na entrevista em Tomsk que as forças russas vão perseguir os rebeldes por todos os lugares onde eles tiverem bases, o que inclui o território da república separatista da Chechênia, acusada por Moscou de dar apoio aos rebeldes. "A Chechênia é território russo e onde houver combatentes haverá também ataques", disse Putin, conforme despacho da Interfax. O governo da república separatista acusara Moscou, na quarta-feira
de ter invadido seu território e hoje soldados chechenos postados na fronteira com o Daguestão disseram que uma coluna de blindados russos ingressou na região ontem cedo, retirando-se uma hora depois. A informação foi negada pelo Ministério do Interior da Rússia.
O conflito é o pior enfrentado pela Rússia desde a desastrosa Guerra da Chechênia (1994-1996), desencadeada depois que essa república declarou independência de Moscou. Analistas políticos e militares estimam que se inicia no norte do Cáucaso um novo conflito de grandes dimensões. Hoje, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) informou que mais de 6 mil pessoas, na maioria mulheres e crianças, já fugiram da região em direção à capital, Mackhachkala, e da cidade de Buynaksk. Outros 6 mil teriam buscado abrigo em aldeias perto da região de Botlikh.

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