Rússia garante que nenhum de seus soldados está em Kosovo
Moscou, 11 (AE-AP) - Dramatizando as exigências para ter seu próprio setor de manutenção de paz em Kosovo, a Rússia enviou nesta sexta-feira (11) um coluna de soldados e veículos blindados para a Iugoslávia.
A atitude, que não foi publicamente anunciada, aparentemente pretendia garantir que os mantenedores de paz russos estariam preparados para entrar em Kosovo ao mesmo tempo que os soldados da Otan - se não antes.
A movimentação de tropas foi acompanhada por um colapso nas conversações entre Estados Unidos e Rússia em Moscou sobre como as forças da Otan e da Rússia interagiriam em Kosovo. A Otan insiste em liderar as forças de manutenção de paz, enquanto a Rússia é igualmente insistente no fato de que seus soldados não servirão sob comando da Otan.
"As unidades russas não serão subordinadas a ninguém", disse o ministro de Exterior Igor Ivanov.
O general russo Leonid Ivashov disse que os soldados da Otan e da Rússia "deveriam entrar em Kosovo ao mesmo tempo, mas em regiões diferentes", informou a agência de notícias ITAR-Tass. "Não planejamos ser os primeiros a pisar na Iugoslávia, mas também não seremos os últimos", disse, ecoando o que ele alegou ser uma instrução do presidente Boris Yeltsin.
A ITAR-Tass citou fontes militares russas dizendo que soldados foram transportados por avião da brigada da Rússia na Bósnia para a Iugoslávia, perto da província de Kosovo, para sincronizar o deslocamento russo com o da Otan.
A agência de notícias, citando fontes diplomáticas em Belgrado
informou que cinco jipes e 15 veículos blindados - carros e caminhões - entraram na Iugoslávia passando pela fronteira com a Bósnia. Um porta-voz da força de manutenção de paz liderada pela Otan em Sarajevo, capital bósnia, disse que cerca de 200 pára-quedistas estavam na coluna.
O comboio russo atravessou a fronteira pela cidade de Nis, no sul da Sérvia por volta das 17h30 locais e partiu rumo a Kosovo, a 80 quilômetros de distância. Até o fim da noite, não estava claro para onde se dirigia o comboio.
O vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, e a secretária de Estado Madeleine Albright disseram ter recebido garantias de Moscou de que nenhuma força russa entraria em Kosovo até que houvesse acordo sobre quantos soldados da Otan e da Rússia trabalhariam juntos na força de manutenção de paz de cerca de 50.000 pessoas.
Ivanov e Albright conversaram por telefone na noite desta sexta-feira. Em entrevista coletiva concedida em Skopje, Macedônia, Albright disse que Ivanov garantiu a ela que os soldados russos não entrariam em Kosovo até que os detalhes fossem acertados com a Otan, que comandará os mantenedores de paz.
"Ele compreendeu que teria de ser um comando unificado", disse Albright. "Ele também disse que este era um passo preliminar se e quando eles estiverem participando da força internacional. Ele disse também que os russos não queriam iniciar os deslocamentos até que fosse acertada a forma como eles participariam da força."
Negociadores russos e norte-americanos passaram por um segundo dia de negociações em Moscou nesta sexta-feira para definir como a Rússia e a Otan interagiriam na força de manutenção de paz. O diálogo acabou sem acordo e o vice-secretário de Estado norte-americano Strobe Talbott, que liderava a delegação dos Estados Unidos, deixou Moscou.
Mas quando chegaram as notícias sobre a movimentação de soldados russos rumo a Kosovo, Talbott retornou imediatamente para uma nova rodada de negociações urgentes.
A agência de notícias Interfax, citando fontes não identificadas, divulgou que cerca de 1.000 russos partiriam na tarde desta sexta-feira e voariam rumo a cidades kosovares, incluindo a capital Pristina. As unidades russas já estavam em bases aéreas e esperavam ordens para partir, disse uma fonte à Interfax.
Os líderes russos disseram estar considerando o envio a Kosovo de um total entre 2.500 e 10.000 soldados.
Ivashov, o general, alertou nesta sexta-feira que se a Rússia não fosse contemplada com um setor de manutenção de paz em Kosovo, faria seus próprios acordos com a Iugoslávia.
"Não pretendemos implorar ao lado americano que dê à Rússia um setor relevante em Kosovo", declarou Ivashov. "Se um acordo não puder ser obtido, declararemos nosso setor e entraremos em acordo sobre esta questão com o lado iugoslavo."





