Rússia expulsa oficiais da Otan, pede tribunal de guerra
Moscou, 26 (AE-REUTERS) - A Rússia intensificou hoje (26) sua pressão sobre a Otan por causa dos ataques aéreos contra a Iugoslávia, expulsando os representantes da aliança em Moscou e pedindo por um tribunal internacional para julgar aqueles que organizaram os bombardeios.
O ministro do Exterior Igor Ivanov, emergindo na crise da província sérvia de Kosovo como o porta-voz dos falcões da Rússia , afirmou a repórteres que os membros europeus do Grupo de Contato de seis nações haviam concordado em reunir-se, mas que os Estados Unidos foram contra.
"Washington não concordou, mantendo a posição deles de um ultimato", disse ele.
A Rússia, um aliado da Sérvia, que como ela é eslava e cristã ortodoxa, tem sido a maior crítica dos ataques da Otan, mas não tem feito acompanhar sua retórica de ações duras, entre outras coisas porque teme perder empréstimos ocidentais e ajuda alimentícia.
O presidente Boris Yeltsin reuniu seus principais ministros e chefes de inteligência na manhã de hoje para discutir os próximos passos, e Ivanov mais tarde delineou as últimas medidas retaliatórias e exigências, incluindo um pedido por ajuda humanitária para a Iugoslávia e um tribunal criminal.
"De acordo com o direito internacional, aqueles que deram tal ordem deveriam ser responsabilizados, inclusive criminalmente", disse ele. "O tribunal internacional sobre a antiga Iugoslávia deveria tratar imediatamente disto".
Ele não afirmou quem ele tinha em mente. Mas manifestantes irados deixaram claro suas posições. Eles permaneceram pelo segundo dia no lado de fora da embaixada dos EUA e de outros países da Otan. Jornais russos também exploraram um rico filão de críticas à aliança ocidental.
Ivanov, um diplomata de carreira normalmente calmo, também expressou sua ira contra a Otan e disse que os dois representantes da Otan em Moscou - um civil francês e um coronel da Força Aérea alemão - receberam ordem de partir, um gesto simbólico que de qualquer forma prejudica o fluxo de informação.
Num sinal dos laços mais próximos desde o fim da Guerra Fria, a Otan vinha tendo dois homens trabalhando a partir da embaixada alemã como elo de ligação com os militares russos e para reunirem-se com o público e a mídia.
"Não há contatos com líderes da Otan, incluindo o secretário- geral, e não haverá até que a agressão contra a Iugoslávia termine", afirmou ele.
"Naturalmente, a Otan lamenta muito", disse o coronel Manfred Diehl, o oficial de contato militar. Os dois homens tiveram 24 horas para deixar o país.
Em outro sinal da deterioração das relações, o Ministério da Defesa russo suspendeu a cooperação com os Estados Unidos sobre o chamado bug do milênio dos computadores.
Mas os militares negaram notícias da imprensa dando conta que o ministério planejava deslocar bombardeios para a Bielo-Rússia em resposta aos ataques na Iugoslávia.
A Rússia também apresentou hoje uma resolução no Conselho de Segurança da ONU pedindo pelo fim dos bombardeios e a retomada das negociações. A resolução foi derrota. Dos 15 membros do conselho, apenas Rússia, China e Namíbia votaram a favor.





