Rússia está pronta para invadir Chechênia
Grozny, 26 (AE-ANSA) - O ministro da Defesa da Rússia, Igor Sergeyev, anunciou neste domingo (26) que as forças russas têm planos preparados para invadir por terra a república separatista da Chechênia, segundo informou a agência Interfax.
"Há várias opções para uma operação terrestre", disse o ministro. "O objetivo é destruir os criminosos e criar uma ampla zona de segurança em torno da Chechênia", acrescentou.
Pelo quarto dia consecutivo, a força aérea russa bombardeou hoje a capital chechena, Grozny, desencadeando uma onda de pânico entre os civis.
A agência Itar-Tass informou que o ministro do Interior russo disse na vizinha Ingushétia que 200 tanques, apoiados por helicópteros, dirigiram-se para a fronteira com a Chechênia para impedir que os rebeldes chechenos cruzassem a região.
Milhares de residentes de Grozny, que tentavam fugir em um comboio de veículos para a Ingushétia, foram barrados na fronteira. Outros os seguiram, mas a agência de notícias RIA informou que a Ingushétia fechara sua fronteira alegando não poder administrar a situação.
O Ministério da Migração informou que mais de 10 mil refugiados chegaram a Ingushétia nos últimos dois dias. Autoridades dessa república temem que nas próximas horas outras 40 mil pessoas atravessem a fronteira, pois é praticamente impossível impedir que refugiados cheguem a pé através das inúmeras trilhas pelas montanhas.
As autoridades russas prometeram continuar com os ataques aéreos contra a Chechênia até que sejam destruídas bases e instalações que Moscou acredita estarem sendo usadas para treinar os rebeldes.
O general Anatoli Kurnikov declarou hoje em uma entrevista à televisão que os ataques continuarão a um ritmo de 55 a 66 missões diárias, pelo menos nos próximos 30 dias.
A Rússia acusa os rebeldes islâmicos de estarem por trás da série de atentados que causaram 300 mortes em cidades russas desde 31 de agosto e organizar rebeliões armadas na vizinha república russa do Daguestão.
O presidente checheno, Aslan Maskhadov, pressionado pelos bombardeios russos e ante a impossibilidade de controlar os guerrilheiros em seu território, voltou a invocar neste domingo um diálogo direto com o Kremlin.
Maskhadov disse que o presidente Boris Yeltsin também estaria disposto a encontrar uma solução diplomática. Uma pesquisa mencionada pela agência Interfax mostrou que 32% dos entrevistados eram a favor de uma "ação ativa militar" contra os rebeldes na Chechênia. Militares russos, no entanto, pediram cautela quanto a uma ação militar terrestre.
O ministro do Exterior da Chechênia, Ulyaz Akhamdov, disse que as autoridades russas e chechenas deveriam reunir-se o mais breve possível. "Estamos prontos para criar um comitê de negociações", disse. Antes, o presidente checheno teria afirmado que a Chechênia repelirá qualquer ataque.
Testemunhas disseram que nos ataques aéreos de hoje foram atingidas instalações petrolíferas em um bairro industrial de Grozny.
O Estado-Maior russo garantiu estar tomando medidas para evitar ataques a civis. Em um sinal de que a Rússia está longe de manter a paz no norte do Cáucaso, a polícia do Daguestão enfrentou hoje guerrilheiros na região de Buinaksk, onde ocorreu um dos ataques terroristas no início do mês.
Segundo agências de notícias, o ministro do Exterior do Daguestão disse que dois policiais, um voluntário e um rebelde morreram no confronto.





