Moscou, 18 (AE-REUTERS) - O governo russo está prestes a fechar um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), apesar de uma decisão do Parlamento de rejeitar uma das principais exigências do FMI, disseram analistas.
Em uma votação realizada na quarta-feira, o Parlamento russo decidiu reduzir o Imposto sobre Valor Agregado de 20% para 15% a partir do dia 1º de julho, ignorando as recomendações do governo. As autoridades do Executivo haviam proposto adiar a redução até o ano 2000 para facilitar as negociações com o FMI.
Os analistas acreditam que a decisão mostra a fragilidade do consenso político estabelecido há seis meses, quando o primeiro- ministro russo, Yevgueni Primakov, foi indicado para restaurar a estabilidade, após a moratória de agosto. A avaliação é que a nova lei do Imposto sobre Valor Agregado será vetada de qualquer maneira pelo presidente Boris Yeltsin. O presidente russo já indicou que, se necessário, vai contrariar as decisões do Congresso para garantir o acerto com o FMI.
O Fundo Monetário Internacional, que está negociando a retomarda dos empréstimos à Rússia, teme que a redução da alíquota de imposto possa apertar ainda mais o orçamento russo. O ministro das Finanças, Mikhail Zadornov, disse hoje que o governo ainda espera manter a cobrança do imposto até o fim do ano.
Uma missão do FMI está na capital russa para preparar um encontro de Yevgueni Primakov com o diretor-gerente do Fundo Monetário, Michel Camdessus, em Washington, no dia 24. Alguns analistas acreditam que Primakov vai tentar pressionar as autoridades norte-americanas a usar sua influência e garantir o acordo com o FMI.
Se a Rússia não conseguir fechar um acordo com o organismo multilateral de crédito de última instância, o governo de Moscou poderia tomar uma decisão similar à adotada em agosto de 1998, quando o país deixou de pagar suas dívidas. A crise resultante de uma atitude como essa, avaliam os analistas, poderia beneficiar a oposição comunista nas eleições parlamentares, em dezembro.

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