Moscou, 13 (AE-AP) - O governo russo anunciou hoje (13) que está promovendo negociações diretas com representantes chechenos para pôr fim à guerra na república rebelde, num dos mais fortes indícios até agora que Moscou busca uma solução política para o conflito na Chechênia.
O ministro do Exterior Igor Ivanov informou que a Rússia está conduzindo diálogos diretos com chechenos, que ele não identificou, sobre o fim da guerra e previu que as conversações levarão a "resultados concretos".
Não ficou claro se as conversações estão sendo promovidas com rebeldes chechenos e Ivanov não entrou em detalhes, apenas disse que as negociações já ocorrem há algum tempo.
Desde o início da guerra, há sete meses, Moscou vem descartando negociar com os rebeldes enquanto eles não depuserem as armas.
"A liderança russa sempre defendeu uma solução política para a Chechênia, sempre esteve aberta ao diálogo e jamais bateu a porta na cara de ninguém", disse Ivanov em entrevista coletiva.
Os militares russos não conseguiram derrotar os rebeldes apesar de ocuparem a maior parte da Chechênia, e ainda têm sofrido uma série de derrotas nas últimas semanas.
Incapaz de conquistar um decisiva vitória militar, o governo russo busca uma solução política, o que inclui, segundo a imprensa de Moscou, contatos com líderes moderados rebeldes.
Ivanov fez os comentários depois de se reunir com a presidente da Organização para Segurança e Cooperação na Europa, a ministra do Exterior austríaca, Benita Ferrero-Waldner.
Acredita-se que a ministra tenha reforçado as preocupações do Ocidente com alegações de que soldados russos cometeram amplas violações dos direitos humanos na Chechênia.
A Rússia tem negado que suas forças tenham cometido abusos, e garante que a ofensiva é necessária para esmagar terroristas internacionais. O governo de Moscou tem reiterado que não amenizará a campanha até que os militantes tenham sido eliminados.
Na quarta-feira, o porta-voz presidencial para a Chechênia, Sergei Yastrzhembsky, havia dito que a Rússia estava mantendo contatos com o líder checheno Aslan Maskhadov através de intermediários.
Embora acusado de ajudar a rebelião armada, Maskhadov, segundo o porta-voz, poderia ser elegível à anistia que a Rússia oferece aos rebeldes que depuserem as armas.
Tropas terrestres russas entraram na Chechênia em setembro, depois que militantes baseados na província rebelde invadiram a vizinha república do Daguestão. O apoio popular à campanha tem sido grande, devido em parte ao fato de Moscou vincular os militantes na Chechênia a quatro atentados a bomba contra edifícios residenciais na Rússia que mataram cerca de 300 pessoas.

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