Moscou, 25 (AE-REUTERS) - O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, deve reunir-se no sábado (26), na capital russa, com o primeiro-ministro, Yevgueni Primakov, para discutir a possibilidade de um novo acordo para recuperar a economia da Rússia. O adiamento das negociações com o FMI, por causa do ataque da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) à Iugoslávia, provocou nova desvalorização do rublo, que fechou em 27 unidades por dólar, uma queda de 10,88% em relação à terça-feira.
De acordo com o vice-primeiro-ministro para Assuntos Econômicos, Yuri Maslyukov, "essa nova etapa de conversações será, se não a última, a penúltima conversa antes da assinatura de um novo acordo". Segundo ele, as novas metas serão acertadas até o fim de maio.
Hoje, o Banco Central informou que as reservas em moeda estrangeira e ouro do país estão perigosamente baixas. No dia 19 de março as reservas estavam em US$ 11,2 bilhões, ante os US$ 11 4 bilhões na semana anterior.
Esse valor é considerado extremamente baixo, dadas as características do país e o volume de suas dívidas externas a vencer este ano: US$ 17,5 bilhões. Sem os recursos do FMI, a Rússia dificilmente conseguirá evitar a decretação de uma nova moratória das dívidas externas, o que só agravaria os problemas econômicos e financeiros do país, observam os economistas locais.
O acerto com o Fundo Monetário também é vital para que os credores privados externos possam retomar as negociações com o governo russo a respeito da troca dos títulos antigos, alvo da moratória decretada em 17 de agosto de 1998, por novos papéis. Na prática, o país perdeu muito tempo, já que as dívidas a vencer nos meses de maio, junho e julho somamum US$ 6,7 bilhões, incluídos os eurobônus. Só em julho, a Rússia deverá pagar US$ 800 milhões ao FMI.
Ao todo, o país deve cerca de US$ 140 milhões aos credores externos, mas está tentando reescalonar aproximadamente US$ 7 bilhões do total das dívidas relativas à era soviética que vencem este ano. O governo de Moscou prometeu quitar outros US$ 9,5 bilhões em dívidas acumuladas desde 1991, quando do colapso do antigo regime, incluídos os US$ 4,5 bilhões devidos ao FMI.
Hoje, o país adiou o pagamento dos 180 milhões de marcos alemães (US$ 100 milhões) devidos a título de cupom aos detentores de eurobônus. No dia 31, o governo de Moscou deverá efetuar mais um pagamento relacionado a esses mesmos papéis, desta vez no valor de 117 milhões de marcos alemães.

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