Moscou, 29 (AE-REUTERS) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) retomou as negociações com a Rússia para assinatura de um novo acordo que permitirá a liberação de novos recursos para o país. Os termos na carta de intenções serão definidos nos próximos 15 dias, por uma equipe técnica que chegará ao país na segunda-feira, e a primeira parcela poderá ser desembolsada em breve, após a aprovação do programa pelo Conselho de Diretores da instituição.
O anuncio foi feito hoje (29) pelo primeiro-ministro da Rússia, Yevgny Primakov, e confirmado depois pelo diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus. Durante todo o fim de semana, o diretor-gerente do Fundo reuniu-se com autoridades russas, parlamentares de oposição, diretores de estatais e até com o patriarca da Igreja Ortodoxa para investigar se há ou não consenso em torno da realização das reformas previstas no programa.
O país espera receber entre US$ 4 bilhões e US$ 8 bilhões do organismo internacional, para quitar US$ 17,5 bilhões em dívidas externas que vencem este ano. Mas Camdessus informou que o valor do crédito ainda não foi definido e avisou que tudo depende do consenso em torno de um programa.
Um comunicado divulgado hoje pela agência oficial russa Interfax informava que o programa com o FMI previa a liberação de US$ 4,8 bilhões em quatro parcelas de igual valor a partir de 24 de abril, mas esses detalhes foram desmentidos por um porta-voz do Fundo em Washington. Curiosamente, esse valor é idêntico ao pagamento devido pelo país à entidade este ano. O acordo anterior da Rússia com a instituição previa o desembolso de quase US$ 22,6 bilhões, mas foi suspenso em agosto depois do anúncio da moratória.
A concretização do acordo é vista pela comunidade financeira internacional como uma luz verde para que a Rússia retome as negociações com outros credores externos para tentar reduzir cerca de US$ 140 bilhões em dívidas. Só no primeiro semestre do ano o país deverá desembolsar US$ 6 bilhões para pagar os credores externos, além dos US$ 4,8 bilhões devidos ao FMI, mas suas reservas em moeda forte e ouro situam-se em apenas US$ 11 bilhões.
Para aprovar o programa, Primakov garantiu que a Rússia conseguirá um superávit primário (que exclui o pagamento do serviço da dívida) de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano
porcentual bem inferior aos 3,5% inicialmente exigidos pelos técnicos do FMI. O vice-ministro das Finanças, Oleg Vyugin, disse hoje que o Fundo continua criticando a idéia de reduzir a alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) de 20% para 15%, conforme sugerido pelo governo, já que isso reduziria as receitas agravando o desequilibrio fiscal.
Amanhã, a equipe econômica russa anunciou que está trabalhando em um rascunho de uma nova lei destinada a combater a evasão de capitais. De acordo com diversas estimativas locais e ocidentais, dezenas de bilhões de dólares deixaram o país pelas vias legais e ilegais nos últimos anos.
O vice-primeiro-ministro para Assuntos Econômicos, Yuri Maslyukov, que conduziu as conversas com Camdessus, disse que as diferenças são mínimas e concentram-se apenas em aspectos como estatais e receitas. Já Camdessus declarou que o acordo com o país não será afetado pela divergência entre a Rússia e o Ocidente em relação à situação em Kosovo.

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