Moscou, 07 (AE-AP) - O ultimato dado na segunda-feira pelas forças russas aos moradores da capital chechena, Grozny, para que deixem a cidade até sábado - caso contrário serão aniquilados num ataque devastador - foi alvo de duras críticas hoje (07) no Ocidente.
A Grã-Bretanha convocou o embaixador russo em Londres para apresentar-lhe seu protesto formal e a Alemanha pediu que a Rússia retire o ultimato, condenado também pela Turquia, França, EUA e Itália, entre outros países.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha expressou sua "indignação" e preocupação com o destino de milhares de pessoas idosas, doentes e inválidas que não têm como abandonar a cidade.
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), George Robertson, considerou "totalmente inaceitável" a advertência enquanto a chancelaria francesa chegou a levantar a possibilidade de que na cúpula da União Européia, no fim de semana, sejam discutidas sanções econômicas contra Moscou. Analistas políticos consideram, porém, bastante improvável essa hipótese.
O que mais irritou o governo russo, no entanto, foi o anúncio do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que adiará a liberação de uma parcela de US$ 640 milhões um empréstimo acertado em julho. A direção do FMI justificou o adiamento como consequência do não cumprimento pela Rússia de reformas estruturais pactuadas com a instituição.
Essa explicação foi rechaçada pelo governo russo, que considerou a decisão um protesto contra a campanha militar russa na Chechênia. O primeiro-ministro Vladimir Putin criticou hoje em um artigo num jornal econômico francês "o uso das negociações de créditos do FMI para pressionar a Rússia". No dia 27, o diretor da instituição, Michel Camdessus, declarou que o Fundo deveria avaliar a opinião mundial sobre a Chechênia quando tivesse de decidir sobre empréstimos à Rússia, mas altos funcionários americanos têm negado essa conexão.
Já o comandante-chefe das forças russas no Cáucaso, Viktor Kazantsev, negou hoje que tenha sido dado um ultimato à população civil e afirmou ter sido dado um prazo até sábado para que os rebeldes se rendam, do contrário serão aniquilados. Mas os termos do comunicado, jogado pela aviação russa sobre a cidade, eram muito claros: "As pessoas que permanecerem na cidade serão consideradas terroristas e bandidos, e destruídas pela artilharia e aviação. Não haverá negociações depois disso. Todos os que ficarem serão aniquilados."
O alto comando militar russo abriu um corredor de saída via Pervomaiskaya, na direção oeste, e prometeu alojamento seguro, assistência médica e garantia de vida aos que partirem. Um grupo de chechenos que deixou Grozny hoje pediu aos militares russos que ampliem o prazo limite para a saída dos civis, uma vez que a grande maioria não tomou conhecimento do ultimato. Milhares de moradores estão vivendo em porões para escapar dos bombardeios. além de não terem visto os folhetos, não têm acesso a rádio, TV ou telefone, pois esses serviços foram cortados pelos russos.
A Rússia calcula haver de 15 mil a 40 mil civis em Grozny. A grande maioria dos habitantes abandonou a cidade quando as tropas federais começaram a bombardear a região, em setembro, e buscou refúgio na vizinha república russa da Ingushétia, onde há mais de 200 mil chechenos.
Ainda hoje, o Kremlin confirmou a viagem, amanhã, do presidente Boris Yeltsin à China, apesar da oposição de sua equipe médica. Yeltsin deixou o hospital na segunda-feira, após uma semana internado com pneumonia. Amanhã ele e o presidente da Bielo-Rússia, Alexander Lukashenko, assinarão um tratado de união entre os dois países.

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