Rússia domina discussões
Colônia, Alemanha, 20 (AE) - A situação econômica da Rússia - que foi incluída nos últimos anos no grupo das sete nações ricas por causa do poderio militar que herdou da antiga União Soviética e é fonte latente de instabilidade na Europa no pós-guerra fria - , foi um dos principais tópicos do encontro de Colônia. Uma moratória parcial decretada por Moscou, em agosto do ano passado, reascendeu a crise financeira iniciada na ásia em 1997 e alimentou o clima de desconfiança que expôs as vulnerabilidades da economia brasileira e acabou forçando o País a mudar o regime cambial, em janeiro passado.
Num reconhecimento do papel de mediação que Moscou desempenhou na busca do acordo de retirada das tropas sérvias de Kosovo, os líderes das sete maiores potências econômicas, que são também, com exceção do Japão, membros da Aliança Atlântica sinalizaram seu apoio a um novo desembolso de US$ 4,5 bilhões do Fundo Monetário Internacional a Moscou e a disposição de renovar e recomendar a renovação de US$ 16 bilhões em créditos oficiais e de bancos comerciais que vencem nos próximos dezoito meses. O primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, disse, depois do encontro, que os governos da Europa e dos Estados Unidos intensificarão sua cooperação com Moscou nas próximas semanas para facilitar a aprovação das reformas internas necessárias para a reativação do programa da Rússia com o FMI, que está suspenso desde o ano passado. Na semana passada, a Duma, o parlamento russo, rejeitou uma lei de aumento de impostos sobre a gasolina, negociada com o FMI para aumentar a arrecadação do governo.
Embora não se entendam sobre quem deva ser o novo diretor geral da Organização Mundial de Comércio, os líderes do G-8 renovaram seu apoio à OMC e à ampliação do número de países membros - uma referência indireta à entrada da China. Ele endossaram o lançamento de uma nova rodada de liberalização do comércio internacional durante a próxima reunião ministerial da OMC, programada para dezembro, em Seattle, nos EUA. "Concordamos que considerações ambientais devem ser plenamente discutidas nessas negociações, o que inclui um esclarecimento da relação entre os acordos ambientais multilaterais e princípios ambientais fundamentais, e as regras da OMC".
O comunicado sugere que as políticas sobre "cláusulas sociais" deverão ficar fora da nova rodada de negociações comerciais e permanecer na esfera da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Os líderes comprometeram-se com a aplicação da Declaração dos Princípios Fundamentais dos Direitos no Trabalho, aprovada pela OIT, e aplaudiram a adoção, também no âmbito na OIT , da Convenção para a Eliminação das Piores Formas de Trabalho Infantil.
No sábado, os líderes anunciaram um novo plano de perdão da dívida dos 36 países mais pobres do planeta, ampliando e acelerando um programa adotado inicialmente em 1996 mas que, até agora, beneficiou apenas três países - Uganda, Tanzânia e Moçambique. Milhares de manifestantes protestaram no domingo, formando uma corrente humana em torno do local da reunião, para exigir o cancelamento imediato da totalidade da dívida desses países.





