Moscou, 09 (AE-AP) - A Rússia exigiu hoje (09) um papel em todos os contingentes da força de paz para Kosovo mas insistiu que tropas russas - que poderiam chegar a 10.000 - nunca servirão sob comando da Otan.
Os comentários russos foram feitos horas antes da assinatura por parte de generais da Otan e iugoslavos de um acordo para a retirada das forças sérvias de Kosovo, suspensão da campanha aérea da Otan e o retorno dos refugiados. A assinatura foi um grande avanço, apesar de a Otan insistir que não irá parar com os bombardeios até que veja sinais de uma retirada sérvia.
O plano de paz para o fim do conflito de 11 semanas de Kosovo, endossado pela Rússia na terça-feira, colocaria oficais e tropas da Otan no centro de uma força de paz de 50.000 homens, algo que Moscou tinha previamente rejeitado.
A Otan não tem dado nenhum sinal de que deseja fazer provisões especiais para os soldados de paz russos.
Mas a Rússia tem deixado sua posição clara: "Soldados de paz russos serão comandados pela liderança russa", não importando quantas tropas Moscou decidir enviar, disse hoje o ministro da Defesa Igor Sergeyev.
Ele afirmou que a Rússia está considerando quatro opções, que vão de 2.000 a 10.000 soldados.
Moscou tem denunciado os ataques aéreos da Otan contra sua aliada Iugoslávia desde que eles começaram em março, mas mergulhou nos esforços de mediação e desempenhou um papel-chave na formulação do plano de paz definido na terça-feira com as sete nações mais industrializadas do mundo.
Uma delegação da Otan era esperada em Moscou na noite de hoje ou na manhã desta quinta-feira, e o subsecretário de Estado americano, Strobe Talbott, deve desembarcar amanhã para conversações sobre a implementação do acordo de paz.
O enviado russo para o conflito, Viktor Chernomyrdin, que se reunirá com Talbott, disse que as conversações irão se concentrar nas "zonas de responsabilidade" numa futura operação de paz.
A Rússia está pressionando pelo controle de um dos setores da operação de paz num Kosovo pós-guerra.
"Nossas... tropas não ficarão inativas. Elas terão responsabilidade por um determinado território", afirmou Chernomyrdin, segundo a agência de notícias russa Itar-Tass.
Mas ele acrescentou: "Nossas tropas deveriam ser representadas em todos os quartéis-generais para ver que ordens estão sendo emitidas, que operações estão sendo esboçadas, e quem está tomando parte delas".
"Nunca seremos comandados pela Otan. Ao mesmo tempo, deveria haver coordenação", disse ele.
O primeiro-ministro russo, Sergei Stepashin, disse hoje na Duma (câmara baixa do parlamento) que o governo estava considerando enviar entre 5.000 e 10.000 pacificadores a um custo anual de US$ 150 milhão.
Moscou disse que não votará na proposta no Conselho das Nações Unidas até que a Otan suspenda imediatamente seus ataques aéreos à Iugoslávia.
"Em primeiro lugar, o bombardeio da Iugoslávia deveria ser suspenso", disse o ministro das Relações Exteriores russo, Igor Ivanov, na Alemanha, onde ele se encontrou hoje com a secretária de Estado Madeleine Albright.
O presidente Boris Yeltsin mostrou-se de acordo em conversações telefônicas com o premier britânico, Tony Blair, e o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, expressando seuapoio ao plano de Kosovo.
A Duma - dominada pelos comunistas, que acusaram Chernomyrdin de vender a Iugoslávia e os interesses da Rússia - aprovou hoje uma resolução que denuncia o acordo de paz e concordou em formar uma comissão para investigar a Otan sobre crimes contra a Iugoslávia.

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