Moscou, 30 (AE-AP) - O governo russo informou hoje (30) que não tem condições de pagar em dia a gigantesca dívida externa do país que vence ao longo dos próximos dez anos ainda que receba recursos externos na forma de novos créditos. Menos de 48 horas depois de firmar um novo acordo preliminar com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o ministro da Fazenda, Mikhail Zardonov, veio a público para dizer que, "mesmo se a situação econômica da Rússia melhorar de forma dramática, o país não conseguirá pagar em dia suas obrigações externas".
O país vinha quitando sua dívida externa com certa regularidade até agosto do ano passado, mas o total dos pagamentos saltou este ano para US$ 17,5 bilhões, nível em que deve permanecer por algum tempo. Já as reservas russas estão atualmente em menos de US$ 11 bilhões.
Na quarta feira, as autoridades do governo de Moscou acertaram um acordo preliminar com o FMI para obter US$ 4,5 bilhões em financiamento, mas esse dinheiro deverá ser usado para pagar os atrasados que o país deve ao próprio Fundo.
Segundo Zardonov, a Rússia também obteve um acordo preliminar com os credores externos reunidos nos Clubes de Paris e de Londres a respeito das dívidas com os governos e daquelas contraídas em instituições financeiras comerciais.
Pelo pacto firmado com os Clubes de Paris e de Londres, o governo russo conseguiu postergar os pagamentos vencidos este ano e a vencer no próximo, mas Zardonov espera poder ampliar ainda mais esse prazo.
O ideal, na avaliação do ministro das Finanças, seria reestruturar a totalidade da dívida externa do país, estimada atualmente em torno de US$ 150 bilhões.
Antes que a Rússia possa receber algum dinheiro do FMI, o governo de Moscou deverá assegurar que o Parlamento aprove um pacote de reformas que estabelece uma série de medidas impopulares.
Vladimir Ryzhkov, que chefia uma das facções governistas no Legislativo, disse hoje que os parlamentares estão pouco propensos a aprovar mais de uma meia dúzia das inúmeras iniciativas legais exigidas pelo FMI para liberar os recursos.
Ryzhkov argumentou que os políticos não estão dispostos a apoiar medidas financeiras impopulares, particularmente na antevéspera das eleições parlamentares, previstas para agosto.
O diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, porém, já deixou claro que a instituição não está disposta a liberar recursos para o país caso o governo não consiga aprovar um pacote para reduzir o déficit orçamentário e sanear o sistema financeiro.
Sob a ótica do primeiro-vice-primeiro-ministro, Yuri Maslyukov, que negociou o novo acordo com o Fundo, as "medidas exigidas são duras, mas realistas". Segundo ele, as mudanças permitirão que o governo melhore sua capacidade de controle e gerenciamento das atividades econômicas. "Não há nada no novo acordo que nos torne escravos do FMI", concluiu.

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