Moscou, 23 (AE-AP) - Rússia e Iugoslávia entraram nesta sexta-feira (23) em uma verdadeira guerra de palavras sobre os resultados da missão pacificadora do negociador russo Viktor Chernomyrdin, que se encontrou quinta-feira, em Belgrado, com o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic.
Em declaração após a reunião, Chernomyrdin disse que Milosevic aceitara uma "presença militar internacional" na Iugoslávia, caso a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) suspendesse os bombardeios. Segundo o enviado russo, a força desembarcaria em Kosovo sob bandeira da Organização das Nações Unidas (ONU) e incluíria, necessariamente, unidades russas.
Por sua vez, o palácio presidencial iugoslavo divulgou nota, afirmando que ambos, Milosevic e Chernomyrdin, haviam condenado os ataques da aliança e concordado em cooperar na busca de uma solução política para a crise de Kosovo.
O documento não fez nenhuma menção à aceitação por parte do presidente iugoslavo de uma força internacional no país, uma das exigências feitas pela Otan e contida no acordo de paz de Rambouillet (França), firmado pelos dirigentes albaneses étnicos de Kosovo e rejeitado categoricamente por Milosevic.
Hoje pela manhã, Belgrado insistiu em que durante o encontro falou-se na possibilidade do desembarque de civis em Kosovo, para supervisionar o cumprimento de um eventual acordo firmado, em negociações diretas, entre sérvios e albaneses étnicos.
Chernomyrdin, que pretenderia fazer um balanço de sua missão em Belgrado à Otan, reagiu indignado em Moscou. "Milosevic aceitou sim uma presença militar internacional", garantiu ele, para ressaltar: "Como poderiam ser civis? Serão militares mesmo
ali há uma guerra."

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