Rússia dá boas-vindas a plano de paz alemão
Moscou, 15 (AE-AP) - Num claro abrandamento da dura oposição russa à política Ocidental para pôr fim ao conflito de Kosovo, o ex- primeiro-ministro russo Viktor Chernomirdin, novo representante do Kremlin na questão iugoslava, deu boas-vindas ao plano de paz apresentado pela Alemanha.
"Nós temos de apoiar um caminho pacífico para esta crise e o que os alemães estão proposto merece atenção", disse Chernomirdin, que, pouco depois, recebia convite do chanceler alemão, Gerhard Schroeder, para um encontro urgente em Bonn.
Diante da nova sinalização de Moscou, o ministro das Relações Exteriores alemão, Joschka Fischer, expôs o plano ao chanceler russo, Igor Ivanov, por telefone.
A proposta alemã prevê, como novidades, uma suspensão de 24 horas dos bombardeios da Otan logo após o cessar-fogo - entre soldados sérvios e guerrilheiros do Exército de Libertação de Kosovo (ELK) - e o início da retirada das tropas iugoslavas de Kosovo e também estabelece a criação de uma administração internacional provisória para a província (protetorado).
Os demais itens são os mesmos contidos no acordo de Rambouillet (firmado pelos albaneses étnicos) - regresso com segurança dos 650 mil refugiados e desembarque de uma força internacional na província sérvia.
O plano será apresentado numa reunião de cúpula do Grupo dos Oito (G-8), que inclui a Rússia. Fischer convidou Ivanov para uma reunião em Bonn, quando ambos debateriam a proposta alemã e a convocação da cúpula. Uma vez aprovado pelo G-8, o plano seria submetido a votação no Conselho de Segurança da ONU.
A propósito de um mal-estar que a iniciativa alemã teria causado nos EUA, o porta-voz da chancelaria alemã, Martin Erdman, lembrou que Fischer expôs a idéia na segunda-feira à Secretária de Estado americana, Madeleine Albright, "que a acolheu positivamente".
Em Belgrado, a proposta alemã foi classificada de "ridícula" pelo vice-primeiro-ministro iugoslavo, Vuk Draskovic. "Segundo esse esquema, todas as nossas tropas deverão retirar-se de Kosovo para que cessem os bombardeios, enquanto as forças terroristas (rebeldes albaneses do ELK) permanecem na província sérvia com a ridícula obrigação de interromper a luta e conservar suas posições", comentou Draskovic. "Quem garante que eles (os rebeldes) deixarão de lutar, quem garante que permanecerão em suas posições se nossos Exércitos sairem dali?", perguntou o dirigente iugoslavo, que classificou a proposta de "inaceitável" nessas condições.
Na quarta-feira, o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, havia reiterado sua oposição à presença de forças internacionais no país. Ele admitiu apenas a supervisão do restabelecimento da ordem em Kosovo por civis estrangeiros, exceto cidadãos dos 19 países membros da Otan.
Em visita à Alemanha, o presidente Fernando Henrique manifestou o apoio de Brasilía ao plano de paz alemão durante encontro, em Bonn, com Schroeder. Ele disse que o Brasil, como membro do Conselho de Segurança da ONU, vai pôr todo empenho na busca de uma saída política para o conflito. "Levamos a sério as razões humanitárias que levaram aos bombardeios aliados da Iugoslávia."





