Grozny, Rússia, 23 (AE-AP) Os militares russos completaram hoje o cerco da república separatista da Chechênia, fechando com tanques blindados a passagem entre a região e a vizinha República da Ingushétia, onde cerca de 160 mil pessoas buscaram refúgio desde que as tropas federais iniciaram sua incursão no território, no início do mês. A fronteira entre a Chechênia e a Ingushétia ambas repúblicas integrantes da Federação Russa estava até então sob o controle da administração ingushe.
A ação ocorreu dois dias depois de o Exército ter realizado um pesado ataque com mísseis ao centro da cidade, atingindo um mercado lotado de populares. Cerca de 140 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas, segundo autoridades chechenas.
Essa matança em Grozny provocou novo êxodo de chechenos em direção à Ingushétia. Milhares de pessoas continuavam abandonando a região quando os soldados russos assumiram hoje o controle das estradas em Semnovodsk e Tsentralnyi, na fronteira. Somente na sexta-feira, mais de 3 mil pessoas chegaram à Ingushétia. No entanto, ainda não está claro se as autoridades russas pretendem impedir que os chechenos busquem refúgio na república vizinha. Fontes militares disseram apenas que a investida é parte de sua operação para "eliminar os extremistas islâmicos".
O Exército russo já está há vários dias às portas de Grozny a 12 quilômetros, segundo estimativas chechenas. O Ministério da Defesa da Rússia tem dado informações ambíguas sobre sua intenção de tomar Grozny. Analistas políticos avaliam que os militares estão divididos quanto ao envio de tropas, ainda tendo em mente o fiasco do ataque russo a Grozny durante a Guerra da Chechênia (1994-1996). O conflito causou a morte de cerca de 100 mil pessoas e terminou com uma derrota humilhante dos russos, que não conseguiram vencer os chechenos. A república considera-se independente, mas nem o Kremlin nem outros países reconhecem esse status.
O apoio popular à ação na Chechênia pode, porém, levar o governo a optar pela invasão. O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, está com a popularidade em alta por causa da incursão, bem-sucedida até aqui porque não houve pesados combates terrestres. Ontem, um alto oficial no comando da guerra
o general Guennadi Troshin, disse que, se as tropas receberem ordens de parar nas imediações da capital, "isso será uma traição".
A operação militar começou depois que as tropas russas expulsaram em agosto e setembro mais de 2 mil rebeldes islâmicos que invadiram a República do Daguestão também parte da Federação Russa , procedentes do território checheno. Sua intenção era criar um Estado islâmico na região.
Moscou também responsabiliza os rebeldes pela onda de atentados que matou 293 pessoas no país entre agosto e setembro. Depois que o Exército os empurrou de volta para a Chechênia, começou a bombardear suas bases e, até a semana passada, já havia ocupado um terço do território checheno, denominado por Moscou de "zona de segurança".
Apesar de vários países pressionarem por uma solução negociada, Putin não tem dado mostras de buscar resolver o conflito pelo diálogo. Pelo contrário, já deixou claro que pretende instalar um governo pró-Moscou na república.

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