Washington, 27 (AE-ANSA) - Rússia, China e Índia, cuja cooperação cresce em todos os campos, estão formando um "eixo" antiamericano, opinaram analistas dos Estados Unidos citados hoje (27) pelo Los Angeles Times.
A idéia de unirem-se contra o poderio americano, acrescentaram, recebeu formidável impulso depois do ataque da Otan contra a Iugoslávia.
Segundo o diário, os mesmo analistas acreditam que essa aliança ainda está longe de tomar uma forma concreta contra os Estados Unidos e a Otan, mas falam de um "cenário" preocupante.
Este "cenário" é composto por 2,5 bilhões de pessoas, uma força militar extraordinária e um ameaçador arsenal nuclear, tudo alinhado para conter o poderio americano.
"Por enquanto estão apenas flertando uns com os outros", observou Charles Williams Mayer, presidente da Eurasia Foundation, um centro de estudos de Washington.
"Não sei como isto terminará. Se jogarmos bem nossas cartas e melhorarmos a cooperação com eles, não irão a nenhum lugar. Mas se a relação cresce, então teremos o núcleo da população mundial, Índia e China, aliado com a tecnologia russa. E isto seria um desastre para os Estados Unidos", afirmou.
Os sinais da maior coesão entre os três países já são evidentes, sobretudo no intercâmbio de tecnologia nuclear.
Por exemplo, a venda de mísseis antinavios russos SSN-22 à China já é uma ameaça para as embarcações americanas no Pacífico.
Outros sinais preocupantes para os Estados Unidos estão na retórica política desses países, onde a palavra de ordem parece ser "um mundo multipolar", outra maneira de dizer que precisa haver um freio à influência americana.
Em uma visita à China em dezembro, o então primeiro-ministro russo Yevgeny Primakov lançou a idéia de um "triângulo estratégico" que comprometa as três nações com uma política de paz e estabilidade na região.
Até agora nenhum fato foi acrescentado às palavras, mas para os especialistas americanos uma crise internacional pode acelerar o processo.
Os três países têm muitos objetivos em comum. Querem estabilidade na ásia Central, temem o impacto de extremistas islâmicos e defendem que o Conselho de Segurança da ONU deve enfrentar as crises internacionais, mas se mostram contrários à intervenção em nações soberanas, um princípio que a Otan violou em sua campanha na Iugoslávia.
Uma campanha, lembraram os analistas americanos, que colocou Moscou e Pequim contra Washington como poucas vezes antes.
"Kosovo representa um marco destinado a acelerar a cooperação entre eles", disse Jonathan Pollack, especialista em assuntos asiáticos da Rand Corporation.
Por seu lado, um funcionário não identificado da Casa Branca afirmou que "habitualmente não admitimos que estamos preocupados. Mas vemos tendências, algumas das quais geram preocupações.

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