Moscou, 25 (AE-REUTERS) - A Rússia apelou hoje (25) a fatores morais para condenar os ataques da Otan contra a Iugoslávia, acusando Washington de querer dominar o mundo e negando-se a participar da festa do aniversário de 50 anos da aliança no próximo mês.
Perto da embaixada dos Estados Unidos na capital russa, centenas de manifestantes gritaram e escreveram a palavra "Fascistas" em protesto contra ação militar a um Estado eslavo irmão.
"Vocês são todos bandidos" e "Tirem as mãos da Iugoslávia", gritaram os manifestantes, que tentaram furar o bloqueio armado pela segurança da embaixada.
"É um ato de agressão contra nossos irmãos eslavos", disse um manifestante, acrescentando que qualquer ato de violência contra a Sérvia ou qualquer outro membro do grupo étnico eslavo também visava a Rússia.
Os ânimos entre a liderança russa também continuaram exaltados hoje, um dia depois do início da ação militar contra a Iugoslávia, tradicional aliado de Moscou.
"Nós estamos sendo informados de que a Otan está bombardeando a Iugoslávia para defender ideais democráticos e garantir a criação de uma Europa unida e estável", disse o ministro russo das Relações Exteriores, Igor Ivanov, antes de questionar: "Que tipo de ideais e valores precisam ser impostos por bombas e mísseis".
Sobre a presença da Rússia nas comemorações dos 50 anos da criação da Aliaça do Atlântico Norte, que serão realizadas entre os dias 23 e 25 de abril, Ivanov afirmou: "Eu acho que ninguém estará com ânimo de celebrar enquanto pessoas morrem na Iugoslávia".
Ao mesmo tempo em que sublinhou que a Rússia não pretende romper os laços com o Ocidente, o chanceler levantou a possibilidade de pôr um fim ao embargo de vendas de armas para a Iugoslávia. "Não descartaria nada", respondeu ele à uma pergunta sobre o tema.
Em uma entrevista, o presidente Boris Yeltsin, que enviou uma mensagem de solidariedade ao colega iugoslavo, preferiu citar a consciência para resumir a posição russa. "Nós temos muitas medidas na manga... mas decidimos não usá-las. Nós somas maiores que isso. No campo moral, somos superiores aos americanos".

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