Rússia acusa rebeldes de usar pausa para se fortalecer
Starye Atagi, Rússia, 12 (AE-AP) - Enquanto a Rússia prosseguia hoje (12) com a suspensão dos bombardeios aéreos contra Grozny, ordenada para permitir a saída de civis da devastada capital da Chechênia, os militares russos acusaram os rebeldes de usarem a pausa para construir fortificações e instalar minas terrestres na cidade.
Diante da forte pressão internacional para que cesse sua ofensiva na Chechênia, a Rússia postergou ontem um ataque decisivo sobre Grozny. As Forças Armadas disseram que cessariam todos os ataques aéreos contra a capital chechena até a meia-noite de hoje.
"Sabemos que os militares estão impedindo os civis de abandonarem a cidade", disse ontem o representante do governo russo na Chechênia, o vice-primeiro-ministro Nikolai Koshman, segundo a agência de notícias Itar-Tass. Por sua parte, as autoridades russas voltaram a acusar os rebeldes de usar os civis como escudos humanos.
Segundo Koshman, permanecem em Grozny cerca de 50 mil habitantes. Outras autoridades, entretanto, mencionam quantidades bem maiores de civis na cidade.
O coronel Guenadi Alyojin, porta-voz militar russo, afirmou hoje que os rebeldes construíram fortificações em pontos estratégicos nas redondezas de Grozny, plantaram minas nas ruas da cidade e instalaram metralhadoras nos telhados dos edifícios, dispostos a responder a um possível ataque das tropas russas.
Alyojin, por outro lado, afirmou que alguns grupos de rebeldes fugiram de Grozny rumo às montanhas do sul da Chechênia
onde o exército russo ainda não chegou.
Embora tenha postergado um ataque decisivo a Grozny, o Kremlin informou não ter intenção alguma de atender aos pedidos internacionais para moderar a sua campanha contra os militantes chechenos na província separatista, e criticou fortemente uma intromissão no que a Rússia considera um assunto interno.
"Devemos conter com mão firme a delinquência" na Chechênia, disse hoje o presidente Boris Yeltsin, segundo a Ita-Tass. "Bandidos e terroristas controlavam um povo aterrorizado. Sob o disfarce da independência nacional e religiosa, trataram de instalar a selvageria".





