Moscou, 07 (AE-AP) - A Rússia lançou hoje (07) novas dúvidas sobre o frágil plano de paz para a Iugoslávia que ela ajudou a arranjar, acusando a Otan de destruir todos os progressos ao tentar se apropriar de poderes que deveriam pertencer às Nações Unidas.
O ministro do Exterior russo, Igor Ivanov, estava hoje em Bonn
Alemanha, para se reunir com seus colegas do Grupo dos Oito - os sete países mais industrializados mais a Rússia. Os ministros do Exterior, que trabalhavam numa proposta de resolução da ONU para implementar o novo plano de paz, suspenderam suas conversações na noite de hoje para que a delegação russa pudesse consultar Moscou. A reunião deve ser retomada amanhã.
Um oficial da delegação russa, pedindo para não ser identificado, disse que a Rússia está insistindo numa suspensão dos bombardeios antes de aprovar a resolução da ONU - uma condição que a Otan rejeita.
A Rússia há muito tem tentado transferir a palavra final das questões iugoslavas da Otan para as Nações Unidas. Moscou vê a aliança de defesa ocidental como uma ameaça, enquanto desfruta de forte influência nos organismos da ONU.
Ivanov acusou a Otan de tentar empurrar sua própria agenda na resolução da ONU.
"A Otan tentou embutir no documento toda uma série de importantes questões políticas. Apenas o Conselho de Segurança da ONU tem a prerrogativa de decidir essas questões", disse Ivanov a repórteres.
"A Otan está tentando dizer unilateralmente nesse documento que uma força internacional (de paz) será baseada nas forças da Otan e tem o direito de usar a força", afirmou Ivanov ao desembarcar em Bonn.
A Rússia quer que a força de paz seja empregada sob a égide das Nações Unidas, e incluir tropas russas trabalhando separadamente sob comando russo.
Se as exigências de Moscou não forem atendidas, "passos correspondentes serão tomados", disse Ivanov. Ele não entrou em detalhes, mas oficiais russos têm repetidamente ameaçado se retirar das negociações.
A Rússia ajudou a mediar um plano de paz entre o Ocidente e a Iugoslávia na semana passada. Mas os dois dias de conversações para sua implementação entre a Otan e oficiais iugoslavos entraram em colapso hoje, colocando em dúvida o acordo.
As conversações afundaram em parte diante da insistência da Iugoslávia numa resolução da ONU. Belgrado, como Moscou, insiste que a ONU tenha um controle geral no Kosovo pós-guerra.
A Otan está "ativamente engajada numa queda-de-braço nas conversações", afirmou o presidente da comissão de assuntos internacionais do Parlamento da Rússia, o liberal Vladimir Lukin
segundo a Itar-Tass.
A Câmara baixa do Parlamento russo, a Duma Estatal, tentou hoje exonerar o enviado presidencial para os Bálcãs que ajudou a mediar o acordo, Viktor Chernomyrdin, a quem muitos legisladores acusam de vender os interesses da Rússia. Mas desde que ele foi apontado pelo presidente Boris Yeltsin, não ficou claro se a Duma pode afastá-lo.
Chernomyrdin falou hoje por telefone com um co-mediador, presidente finlandês Martti Ahtisaari, e expressou esperança de que o acordo ainda possa ser implementado.
"Qualquer conversa sobre um beco sem saída ou um colapso nas negociações é injustificada e contraprodutiva", disse um assessor de Chernomyrdin, Valentin Sergeyev.
Yeltsin, que tem estado notavelmente quieto sobre o plano de paz, discutiu o conflito iugoslavo hoje por telefone com o presidente americano, Bill Clinton, informou o Kremlin. Não foram fornecidos detalhes da conversação.

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