Moscou, 10 (AE-AP) - Sob intensa pressão dos Estados Unidos e da União Européia (UE), a Rússia decidiu nesta sexta-feira (10) abrandar o ultimato - que venceria amanhã - dado aos habitantes de Grozny, capital da Chechênia, para que se retirem da cidade se não quiserem ser considerados "terroristas" pelas tropas federais.
"Não há prazo", assegurou o ministro da Defesa Civil russo, Serguei Shoigu. "O corredor especial continuará aberto para quem quiser deixar a cidade." Ele acusou os rebeldes muçulmanos de impedir a saída dos civis e instou o presidente checheno, Aslan Maskhadov, a colaborar com as "tropas federais na tarefa de retirada segura dos moradores da cidade".
Segundo a agência Interfax, Maskhadov abandonou a capital, prestes a ser invadida. Grozny está cercada por tropas russas que continuam despejando sobre ela centenas de mísseis.
Os militares russos acusaram os rebeldes de dinamitar instalações petroquímicas na região com o propósito de acusar Moscou de usar armas químicas no conflito. Hoje, a atmosfera de alguns bairros estava impregnada de amônia.
"A capital não será destruída se os terroristas depuserem suas armas", disse o ministro do Interior russo, Vladmir Rushaio, que visita Estrasburgo, França. Ele confirmou que a população de Grozny, estimada hoje em 45.000 pessoas (na maioria idosos, mulheres e crianças) poderá deixar a cidade em segurança.
Rushaio disse isso após a divulgação de um comunidado dos chanceleres da UE, reunidos em Helsinque, pedindo a imediata suspensão das operações militares na região. A UE está ameaçando Moscou com sanções econômicas.
Mas o presidente russo, Boris Yeltsin, que regressou de uma visita oficial à China, reiterou sua política: "Cabe apenas à Rússia decidir o destino da Chechênia."

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