Ruralistas vão impedir vistorias do Incra no Paraná
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quinta-feira, 09 de setembro de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 10 (AE) - Os produtores rurais da região noroeste do Paraná decidiram hoje, numa reunião em Paranavaí, que vão impedir as vistorias do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), enquanto o governo estadual não cumprir as ordens de reintegração de posse das propriedades invadidas por sem-terra na região. O governo do Estado afirma que cumprirá as ordens judiciais, mas apela para a necessidade de cautela. Há mais de 20 áreas invadidas na região, mas a UDR apresenta sete como "prioritárias" para a desocupação.
O coordenador da União Democrática Ruralista no Paraná, Tarcísio Barbosa de Souza, disse que os proprietários não vão permitir a vistoria nas propriedades, sobretudo as invadidas, porque elas "com certeza serão apontadas como improdutivas". "A propriedade é invadida, fica um ano sendo destruída, eles roubam gado, roubam cerca, roubam mangueiras, roubam tratores, e aí vem o Incra fazer a vistoria e, com certeza, será apontada como improdutiva". Segundo ele, se for preciso os proprietários vão se colocar em frente à porteira para não deixar os técnicos entrarem.
Em entrevista a uma rádio de Curitiba, o secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, disse que a preocupação do governo é "evitar violência". "O poder público tem de ter cautela, tem de analisar isso com muita prudência e é isso que nós fazemos", afirmou. "Cumprimos as ordens judiciais, mas dialogamos com o Poder Judiciário, com o Ministério Público, respeitamos o dom maior que é a vida." Os ruralistas redigiram uma nota de repúdio contra o superintendente do Incra no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira
que não compareceu ao encontro.
A superintendente adjunta do Incra no Paraná, Maria Rozalina Arend, disse que Vieira queria ir para Paranavaí, mas estava em reunião com o ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, em Brasília. Ele foi representado pelo chefe da Divisão Fundiária, Valter Pozzobom, que apresentou dados técnicos da questão no Estado.
Para os ruralistas, "a falta de respeito é ainda maior quando se vê a disposição com que o Incra do Paraná se dispõe a atender o MST, este movimento baderneiro que se esconde na bandeira da reforma agrária para cometer inúmeros atos ilegais". "Se o senhor José Carlos não tem o que dizer aos produtores, procure não atrapalhar a reforma agrária no Paraná"
dizem na nota.
A superintendente adjunta disse que o Incra está procurando solucionar os problemas fundiários. "Estamos procurando áreas improdutivas desocupadas para atender o que a UDR está reivindicando", afirmou. Segundo ela, para retirar os sem-terra das fazendas é preciso apresentar alternativas, o que só se consegue com as vistorias. "Vamos continuar cumprindo a legislação, fazendo primeiro a notificação ao proprietário e um convite para que acompanhe a vistoria", disse.


