São Paulo, 23 (AE) - O presidente do Sindicato Nacional dos Produtores Rurais (Sinapro), Narciso Clara, anunciou que a entidade entrará amanhã (24), em Campo Grande (MS), com uma ação judicial pedindo a prisão do presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso do Sul (Fetagri), Geraldo Teixeira de Almeida. O Sinapro acusa Almeida de incitação e apologia ao crime.
A acusação está fundamentada nas declarações de Almeida divulgadas pela Agência Estado, segundo as quais os sem-terra de Mato Grosso do Sul haviam decidido invadir 53 propriedades rurais neste semestre. As invasões, disse ele, fazem parte das comemorações do 20.º aniversário da Fetagri.
"Faremos o pedido de prisão baseado na onda de invasões, que já vem ocorrendo no Estado", afirmou o advogado Rubens de Aguiar Filgueiras, contratado pelo Sinapro. "Queremos barrar a pessoa física do presidente da Fetagri, que se excedeu no exercício de suas funções e está promovendo uma guerra entre quem nada tem contra quem tem um pouco". Miséria - O presidente da Fetagri rebateu hoje as acusações dos produtores rurais. Segundo ele, quem está fazendo apologia ao crime em Mato Grosso do Sul "é a miséria e a fome dos trabalhadore rurais desempregados". Ele acrescentou que a decisão de invadir não é uma decisão sua, mas, sim, resultado do consenso dos líderes dos grupos acampados, que, desesperados, consideram que a pressão é a única alternativa para fazer com que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) acelere as vistorias das áreas para assentamento.
"O próprio ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, já admitiu que a reforma agrária só funciona pela pressão das invasões", diz Almeida. "Será que vão mandar prendê-lo também?"
Segundo Almeida, a miséria está crescendo entre as 10 mil famílias de trabalhadores rurais desempregados no Estado, que perderam espaço no processo de mecanização do campo. Almeida acrescentou que a Fetagri congrega atualmente 6,3 mil famílias registradas, em estado de completa miséria.

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