Presidente Prudente, SP - Ruralistas com atuação no Pontal do Paranapanema reagiram com duras críticas ao plano do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, de assentar todas as famílias acampadas na região. Ele fez a promessa ao participar de um encontro com lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) segunda-feira, em Teodoro Sampaio.
Rossetto disse que o governo Lula vai repassar R$ 36 milhões ao governo de São Paulo para os assentamentos e até setembro serão arrecadados 100 mil hectares na região. O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, disse que o ministro ''com certeza está sofrendo das faculdades mentais'' e demonstra ''falta de competência'' para conduzir o programa de reforma agrária do governo.
''Como ele pode, numa hora dessas, quando se sabe que um percentual pequeno de pessoas tem ligação com a terra, dizer que vai assentar todas as famílias acampadas no Pontal?'' Isso, segundo ele, estimula a ''indústria de acampados'', causando uma corrida de pessoas da cidade para os acampamentos. ''Onde ele vai arrumar terra para tanta gente?''
Para Garcia, o ministro está ''mentindo'' para a população e para o MST, quando afirma uma coisa que sabe que não vai cumprir. ''O mais grave é que ele envolveu o Tribunal de Justiça de São Paulo na sua mentira.'' Rossetto disse ter obtido a garantia de que os processos de arrecadação de áreas que tramitam no TJ serão julgados em mais dois ou três meses. ''Se o ministro continuar no cargo, vai ser o caos no campo.''
O presidente do Sindicato Rural de Presidente Venceslau, Almir Soriano, integrante da Comissão de Assuntos Fundiários da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), disse que Rossetto parece ser ''garoto propaganda'' do MST. ''Ele deveria pensar mais no que fala.''
Sua intenção de assentar todos os acampados, segundo Soriano, atropela um projeto sério do governo estadual que já tem um cadastro dos sem-terra da região. ''Vemos isso com muita preocupação, pois um governo que tem um ministro como esse passa a ser visto com desconfiança.'' Ele disse esperar que o presidente Lula advirta o ministro, ''caso contrário se tornará conivente''. Segundo o ruralista, a situação no campo é grave e precisa de autoridades que tragam respeito à ordem.

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