Ruralistas querem intervenção no Estado
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terça-feira, 31 de agosto de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Pelo menos oito fazendeiros do Paraná acionaram o departamento jurídico da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep) pedindo que sejam impetradas ações judiciais responsabilizando o Estado pelo não cumprimento dos mandados de reintegração de posse expedidos pela Justiça.
A intenção é pressionar o governo a cumprir as ordens judiciais e evitar novas invasões no campo. ''Vamos fazer pressão para o cumprimento dos mandados de reintegração de posse. A conivência do governo do Estado com as invasões no Paraná faz com que não seja respeitado o direito de propriedade. Queremos que a ordem e a lei prevaleçam'', disse ontem o ruralista Tarcísio Barbosa de Souza, coordenador estadual de Política Fundiária da Faep.
Dados da Faep mostram que em janeiro de 2003, início do governo Roberto Requião (PMDB), 40 fazendas estavam ocupadas por sem-terra. Atualmente, o número subiu para 141, sendo 77 áreas com mandados de reintegração de posse não cumpridos. Em 2003, segundo a Faep, foram realizadas 28 desocupações. Este ano, teriam sido feitas 36 reintegrações de posse.
Os proprietários da Fazenda Sete Mil, em Jardim Alegre (115 km ao sul de Apucarana), conseguiram garantir no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a intervenção federal no Paraná. A área foi invadida em 1997 por lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
A Procuradoria Geral do Estado (PGE) encaminhou um informe ao STJ da negociação para a compra da Sete Mil pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) num valor aproximado de R$ 108,9 milhões. A fazenda tem 13,7 mil hectares.
Desocupação- Cerca de 90 policiais militares iniciaram ontem o processo de negociação para desocupar a Fazenda São Fabiano, entre São João do Caiuá (35 km ao norte de Paranavaí) e de Paranacity (66 km ao norte de Maringá). A intenção era fazer a desocupação ainda ontem mas os sem-terra não quiseram deixar a área antes de acertarem a saída para um novo terreno que será cedido pela Prefeitura de São João do Caiuá. Eles têm até domingo para deixar o local.


