Marcos Zanatta
De Maringá
A União Democrática Ruralista (UDR), o Movimento Nacional dos Produtores (MNP) e mais 13 entidades de defesa da agropecuária divulgaram ontem uma nota de repúdio pela ausência de representantes do governo do Estado e do Incra em uma reunião em Paranavaí (Noroeste do Paraná). Cerca de 60 pessoas esperavam o assessor para Assuntos Fundiários do Estado, Antônio Carlos da Costa Coelho, e o superintendência do Incra no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira. Apenas Vieira mandou um representantes. ‘‘Foi uma falta de respeito com a categoria’’, disse o coordenador da UDR na região, Tarcísio Barbosa de Souza.
Ele lembrou que a reunião foi adiada do dia 3 passado para ontem a pedido de Vieira. ‘‘Estamos esperando essa reunião desde que ele assumiu o Incra’’, disse. O principal motivo do encontro é reforçar a intenção dos proprietários de impedir as vistorias do Incra na região, enquanto o governo não cumprir as reintegrações de posse de sete áreas. São todas propriedades com laudos de vistoria de peritos federais e consideradas produtivas. Os ruralistas querem ainda a regionalização do índice de produtividade, o fim da intermediação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) para as verbas destinadas aos assentados e a municipalização dos cadastros do Incra.
Segundo Souza, o MST perdeu o respeito pela lei e a ordem. ‘‘O movimento está trazendo pessoal de outras regiões e retomou o terrorismo contra os produtores’’, afirmou. Ele disse que apenas uma escola de Querência do Norte recebeu a transferência de 14 crianças que vieram do Mato Grosso do Sul. ‘‘Sabemos também que o MST trouxe 50 famílias de várias regiões para a fazenda Três Irmãos’’, revelou.
Souza reforçou que hoje o Noroeste é a área mais visada pelo MST no País. A região entre Paranavaí e Querência do Norte chegou a ter 65 áreas ocupadas. Eduardo Bagio, do MNP, disse que Vieira não foi à reunião porque o governo não quer resolver o problema fundiário.

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