Ruralistas planejam vigília em estradas para impedir invasão de sem-terra
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Chico Araújo e Fabio Diamante 
Brasília, 20 (AE) - Um grupo de ruralistas e fazendeiros ligados à Associação Nacional de Agricultores e Pecuaristas planeja iniciar, no fim da noite de hoje, uma vigília em estradas estaduais e federais de 15 Estados, para impedir a onda de invasões de terras promovidas e anunciadas pelo Movimento dos Sem-Terra (MST).
"O MST está colocando em risco a segurança nacional, com seus atos de terrorismo e guerrilha", afirmou o organizador da vigília, Narciso Rocha Claro. "Vamos usar todos os meios legais para impedir a invasão de nossas terras." Claro defende a prisão dos militantes do MST por invasão e depredação de bens públicos. Segundo ele, os ruralistas estariam mobilizados nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Pará, Rondônia e Tocantins.
Sem respaldo - O vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Carlos Esperotto, garante que os ruralistas e fazendeiros não estão mobilizados no País, como anunciado. Esperotto afirma ainda que Narciso Claro não tem respaldo e nem credibilidade para falar em nome dos ruralistas. "Os ruralistas não estão mobilizados para uma contra-ofensiva aos sem-terra", ressalta Esperotto, também presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul). Segundo ele, os ruralistas confiam que o governo será capaz de apaziguar os conflitos no campo. "A sociedade e o governo já perceberam que o MST, com suas ações, está querendo chamar a atenção interna e externamente."
Em São Paulo, a Secretaria da Segurança Pública determinou que os comandantes de área da Polícia Militar fiquem atentos à possibilidade de conflitos. Segundo a Assessoria de Imprensa da Secretaria, a PM está autorizada a intervir em caso de necessidade.


