Brasília - Fazendeiros ligados à Sociedade Rural Brasileira (SRB) pedirão ao governo que redobre a vigilância nos acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). ''Procuraremos o governo federal para que o Ministério Público e a Polícia Federal redobrem a fiscalização sobre os integrantes do MST. A lei precisa ser cumprida'', afirmou o presidente da SRB, João Sampaio.
Ele chamou as declarações do líder nacional do MST, João Pedro Stédile, de ''irresponsáveis''. Sampaio disse que elas ''contribuem, em muito, para exacerbar a tensão no campo''. Stédile teria convocado pequenos agricultores e sem-terra para uma batalha contra os fazendeiros (leia nesta página).
Integrante da bancada ruralista na Câmara e ex-presidente da UDR, o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO) disse que Stédile é um ''desequilibrado mental'' e que o MST não quer a reforma agrária, mas ''implantar o regime comunista no Brasil''. O governo federal, disse, está sendo omisso quanto às invasões de terra e de terrenos nos centros urbanos. ''As consequências são gravíssimas e o presidente será responsável por esse barril de pólvora'', disse o deputado ruralista.
Para o vice-presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Luiz Roberto Baggio, as declarações de Stédile prejudicam o processo de reforma agrária e o próprio governo. ''A convocação de Stédile para a guerra prejudica o governo num momento em que estão sendo traçadas as linhas da reforma agrária dentro da lei e da ordem. Durante a estruturação desse processo, qualquer tropeço é ruim'', afirmou.
Para ele, o governo terá que gastar energia para acalmar os ânimos, esforço que poderia ser destinado ao início da reforma. Ele reiterou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu, em encontro com 20 lideranças do setor rural na última quarta-feira, que iria destinar grande parte do seu tempo para a reforma agrária. ''Nesse momento, todos deveriam destinar forças para a produção e não para instigar a guerra'', afirmou Baggio, acrescentando que o MST ''deixou de ser social passou a ser ideológico''.
Perguntado se os proprietários rurais se armariam para proteger suas fazendas, João Sampaio, o presidente da Sociedade Rural Brasileira, disse, sem falar em uso de armas: ''Declarações incitando uma guerra colocam mais lenha numa fogueira que já está bastante alta''. Sampaio disse que ''o ministro do Desenvolvimento Agrária, Miguel Rossetto, que muitas vezes se disse amigo de Stédile deveria ''dar um puxão de orelhas em seu companheiro''.
O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, classificou como ''muito interessantes'' as declarações de Stédile. ''Elas mostram a realidade do movimento. Agora todo o País sabe quem são os sem-terra'', afirmou o presidente da CNA. Para ele, o MST não quer a reforma agrária, mas fazer bagunça e promover a desordem. ''Atrás do pleito de reforma agrária está a promoção eleitoral'', completou.

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