Ruralistas pedem intervenção no Paraná
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terça-feira, 20 de abril de 1999
Israel Reinstein 
Os ruralistas reuniram-se ontem, em Curitiba com o presidente do Tribunal e Justiça, desembargador Sidney Zappa, pedindo a intervenção do governo federal no Paraná pelo não cumprimento dos mandados de reintegração de posse do Estado. Na reunião com o desembargador, estavam presidentes de associações rurais e o deputado federal Aberlado Lupion (PFL) e o líder do PFL na Assembléia Legislativa, deputado estadual Plauto Miró Guimarães. Nós queremos que sejam requisitadas forças federais para que hajam as reintegrações aqui no Paraná, afirma o deputado Abelardo Lupion.
A reação dos ruralistas é uma resposta às manifestações de ontem do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, que se reuniram na segunda-feira passada com Zappa, procurador Geral do Estado, Gilberto Giacóia, e o governador Jaime Lerner. Os representantes das sete sociedades rurais, da UDR, da bancada ruralista da Câmara Federal e Assembléia Legislativa cobraram do desembargador Sidney Zappa uma posição do TJ ao não cumprimento das sentenças de reintegrações. Além disso, ameaçam entrar com uma ação de responsabilidade de contra o governador Jaime Lerner, por prejuízos provocados pelo MST. A assessoria do governador avisa que recorrerá frente a qualquer decisão desfavorável.
Segundo os produtores, o governo deixou de desocupar 84 áreas nos últimos cinco anos. Desse total, 45 seriam produtivas, segundo laudo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). No entanto, a Secretaria de Segurança Pública afrima que existem apenas 14 áreas. Mas o deputado considera que, independentemente dos números, a inércia do governo está motivando o MST a invadir novas áreas.
No entanto, o coordenador do MST, José de Damasceno, afirma que as ocupações ganharam força com a agressividade das milícias dos fazendeiros. O governador Jaime Lerner, por meio de sua assessoria, avisa que vai realizar um trabalho de desarmamento no campo e de desocupação de áreas. Quanto a data, o governo diz que vai esperar diminuir o período de tensão.


