Ruralistas fazem fila para comer churrasco
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Rosa Bastos 
Brasília, 23 (AE) - Na Esplanada dos Ministérios, perto dos tratores e caminhões com faixas de protesto e bandeiras do Brasil, os ruralistas, que estão protestando em Brasília há duas semanas, fizeram fila para almoçar churrasco. Além da carne, em grande quantidade, doada por frigoríficos, havia panelas de polenta, mandioca e salada. "Eu preferia a quentinha", reclamou José Joaquim Martins Filho, de 41 anos, que veio de Mineiros (GO) com 50 ruralistas.
Ele espera desocupar a Esplanada dos Ministérios até quarta-feira (25). "Queremos sair antes da chegada da marcha." Martins Filho, que trabalha numa fazenda, contou que o patrão dele está "bem apertado". Ele mencionou também outro produtor, de soja, milho e feijão, que mantém apenas dois dos seis empregados. "Muitas vezes, o cara planta e só perde dinheiro", disse.
"Se precisar, ficaremos aqui até o ano 2000." Com tanta comida, a fila logo se desfez. O desempregado Milton Lauriano, de 35 anos, conseguiu um prato de plástico e foi para a fila. Não deu certo. "O segurança, metido a bom, expulsou-me
disse que não sou do campo", contou. Até ontem (22), Lauriano e outros tinham conseguido comer de graça.
Acostumado ao calor e à poeira, o pequeno produtor Claudinei Rigonatto, que tem uma propriedade de 72 hectares em Bom Jardim, no Oeste de Goiás, onde não chove há 120 dias, insistiu que os ruralistas não querem perdão, apenas justiça. "Financiei uma irrigação de laranja, no valor de R$ 64 mil, em 94", disse. "Ainda devo ao governo oito parcelas anuais de 2,3 mil sacas de milho." Segundo Rigonatto, Bom Jardim, com uma população de 10 mil habitantes "murchou" nos últimos cinco anos. "Antes, lá havia 15 mil hectares de lavoura de soja, milho e arroz", contou. "Hoje, são 10 mil hectares, menos renda, menos emprego, mais pobreza."


