Sorocaba, SP - Três das principais entidades ruralistas do País, a Sociedade Rural Brasileira (SRB), a União Democrática Ruralista (UDR) e o Movimento Nacional dos Produtores (MNP) iniciaram ontem uma ampla articulação política para se contrapor à mobilização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para impor a reforma agrária ao governo. Os líderes decidiram enviar ofícios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertando para o risco de uma ''grave ruptura institucional'' caso não sejam coibidas as invasões de terras e ações com o objetivo de fazer a reforma agrária ''na marra''.
Documentos semelhantes, assinados pelos dirigentes da SRB, João de Almeida Sampaio Filho, da UDR, Luiz Antonio Nabhan Garcia, e do MNP, João Bosco Leal, foram encaminhados aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Maurício Corrêa, e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Nilson Naves.
Em ofícios conjuntos, os líderes pedem audiências para a exposição pessoal da preocupação com a estabilidade institucional. No documento enviado a Lula, é lembrado que o presidente já agendou uma reunião com as lideranças do MST, marcada para julho. ''Certamente vamos merecer a mesma atenção'', comentou o presidente da UDR. Os líderes prometem fazer ecoar no Congresso Nacional suas preocupações com a ação dos sem-terra. ''Estamos entrando em contato com os integrantes da bancada ruralista'', disse Garcia.
Venceu ontem o prazo dado pelo juiz Aristóteles de Alencar Sampaio, da Comarca de Pirapozinho, para que as 450 famílias do MST acampadas na rodovia de acesso a Sandovalina, no Pontal do Paranapanema, deixem o local. O despejo, no entanto, não será feito esta semana.
Segundo o comando da Polícia Militar na região, a operação ficará suspensa até que seja julgado um recurso protocolado pelo MST no Tribunal de Justiça do Estado.

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