A União Democrática Ruralista (UDR), o Movimento Nacional de Produtores (MNP) e entidades congêneres de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais decidiram ontem, em Presidente Prudente, SP, juntar forças e fazer um protesto em Brasília contra a atual política de reforma agrária. O ato está marcado para 14 de abril.
A posição foi tomada em encontro com a participação de cerca de 40 representantes das entidades ruralistas. As entidades congêneres de Goiás e Rio Grande do Sul, que não participaram da reunião de ontem, serão convidadas a engrossar o protesto na Capital Federal.
Em Brasília os produtores querem demonstrar o inconformismo com as invasões e destruições de propriedades rurais promovidas pelos sem-terra e exigir o cumprimento da Constituição Federal, que garante o direito de propriedade. Durante a reunião de ontem, os ruralistas apontaram o presidente Fernando Henrique Cardoso como ‘‘o principal inimigo da classe’’.
Eles pretendem organizar manifestações em frente ao Congresso Nacional e não excluem a possibilidade de bloquear a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Outra sugestão apresentada e que deverá ser estudada é um enterro simbólico da Constituição.
Os dirigentes das entidades ligadas à agropecuária demonstraram, durante o encontro de ontem, a tensão que domina a categoria nos diversos estados onde o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e outros grupos que defendem a reforma agrária estão atuando.
Representantes do Paraná afirmaram que desde o início do primeiro mandato do governador Jaime Lerner foram contabilizadas mais de 250 invasões no Estado. Segundo o presidente da UDR de Paranavaí, Marcos Prochet, neste mesmo período foram promovidas 28 desocupações pacíficas. Segundo ele, há 156 propriedades ocupadas, 84 delas com mandados de reintegração de posse que não são cumpridos pelas autoridades estaduais.
Em Mato Grosso do Sul, de acordo com Renato Meren, coordenador do MNP de Campo Grande, ocorreram 139 invasões desde 1997. Só este ano foram 20 ações de grupos de sem-terra liderados pelos sindicatos de trabalhadores rurais filiados à Confederação dos Trabalhadores Rurais (Contag) do Estado. Também naquele Estado os produtores acusam o governo estadual de não cumprir os mandados de reintegração de posse.

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