Emerson Cervi
De Curitiba
Lideranças rurais decidiram ontem pressionar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária para solucionar os conflitos agrários no Estado. Esta é a principal definição da reunião de ontem entre a bancada ruralista da Assembléia Legislativa e o governador Jaime Lerner (PFL). Deputados e governador concluíram que os novos assentamentos no Estado e a solução para os conflitos agrários dependem do órgão federal. Os ruralistas querem uma audiência com o superintendente do Incra, José Carlos de Araújo Vieira, para a próxima semana.
Segundo o líder da bancada ruralista, deputado Plauto Miró Guimarães Filho (PFL), o governador está preocupado com o aumento da violência no campo. ‘‘Mas o Estado não pode fazer muita coisa, já que a desapropriação de terras e novos assentamentos dependem do governo federal’’, afirmou. Os ruralistas vão cobrar da direção do Incra mais agilidade nas desapropriação de áreas para novos assentamentos.
Outra reivindicação da bancada era o cumprimento imediato de 57 ordens judiciais de reintegração de posse que foram engavetadas pela Secretaria de Segurança a pedido de Lerner. ‘‘O governador disse que só poderá cumprir estas ordens quando o Incra disponibilizar áreas para que os invasores sejam assentados, pois tirar as famílias dessas fazendas para deixá-las às margens de estradas só resolve uma parte do problema’’, contou o deputado.
A terceira exigência da reunião era o fim do acampamento dos sem-terra na praça Nossa Senhora Salete, em Curitiba. Lerner disse que essa questão será tratada pessoalmente por ele, mas não deu prazo para uma solução definitiva.
O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), Ágide Meneguette, afirmou ontem que a qualquer momento a violência no campo pode estourar. ‘‘Esse movimento ideológico está invadindo terras produtivas e como os agricultores não podem contar com o governo para cumprir os mandados de reintegração de posse, a única alternativa será cuidar da segurança de suas propriedades de outras maneiras’’, afirmou.
A FAEP contratou um escritório de advocacia para atender fazendeiros que tiveram suas terras invadidas pelo MST. Além dos pedidos de reintegração de posse, eles podem usar o escritório para pedir intervenção federal no Estado por descumprimento de ordem judicial ou iniciar ações populares contra o governador Lerner. ‘‘Os advogados estão à disposição’’, afirmou.

mockup