Ruralistas criticam do MST
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terça-feira, 20 de abril de 1999
Por Renato Alves, especial para AE 
Ouro Preto, MG, 21 (AE) - A condecoração do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) com Medalha da Inconfidência revoltou ruralistas de Minas Gerais. William Koury
presidente do Movimento Nacional dos Produtores (MNP), disse em Uberaba, que recebeu essa informação como "uma afronta" e que o governador Itamar Franco está querendo transformar Minas Gerais, num Paraná que já está com mais de 200 invasões.
Koury afirmou que "é um risco muito grande condecorar um grupo de guerrilheiros, que age ao arrepio da lei. Isso pode acenar para uma população de desempregados, de pessoas despreparadas, que invadir e tomar coisa alheia é certo, é heróico". Comentou ainda que a atitude do governo mineiro "é, no mínimo, de uma irresponsabilidade enorme para com o País".
Durante o feriado de 21 de abril o escritório do MNT não parou de trabalhar. Vários telefonemas foram dados a produtores de diversas regiões do Estado, sempre orientando para que se preparem para defender a terra. "Temos que fazer isso, inclusive utilizando a força, se necessário, conforme nos assegura a Constituição" falou Koury, ressaltando que a reação da classe produtora não pode ser de apátia.
"Não sei se vai acontecer, mas a tendência é que a classe ruralista se prepare para o pior, porque quem não defende o que tem não merece ter" afirmou. Apenas no Triângulo Mineiro o MST e o MLST invadiram dez fazendas, sendo que nove foram reintegradas, três através da ação de força dos próprios produtores. "Estamos com os ânimos exaltados e os desdobramentos desse ato do Itamar Franco, são imprevisíveis," concluiu William Koury.


